Em Paris, passando bem

 

Humphrey Bogart diz a Ingrid Bergman quase no final de Casablanca: “Sempre teremos Paris”.

Bons tempos aqueles em que podia se acreditar nesse tipo de platitude. Hoje em dia, com o advento dos radicais islamistas… Bem, a França abriga seis milhões de árabes ou descendentes e os últimos atentados que lá aconteceram me deixam alguma dúvida quanto à frase de Bogie, que talvez soasse melhor hoje em dia se fosse assim dita:

“Aproveitemos Paris enquanto podemos”.

Eu a aproveitei muitas vezes. E quero lembrar agora uma delas, em 2011. Minha idéia era fazer um tour pelos restaurantes mostrados por Woody Allen em Meia-Noite em Paris, seu filme daquele ano. E eu o fiz realmente… Mas só a partir da segunda noite, porque na primeira não resisti: dei uma de turista, e fui jantar durante um passeio no Sena num daqueles barcos-restaurantes do Bateau Mouche. E sabem que o passeio me surpreendeu? A comida era ótima!

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No segundo dia sim, fui jantar no Balzar, ali na Rue des Ecoles, onde o maitre de moustache a Salvador Dali passou a me tratar como se eu fosse o Xá da Pérsia e o garçon até flertou comigo depois que eu escolhi um vinho – o Clos de Vougeot 2004 – que, segundo ele, “é um verdadeiro tesouro”. A comida era ótima, a atmosfera mais parisiense impossível… E a noite só não foi perfeita porque o ar condicionado não estava funcionando.

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No terceiro dia rumei à Rua Monseigneur Le Prince e fui ao Polidor, que está lá desde 1875, pertence a mesma família e, desde a inauguração, nunca mais foi restaurado… E assim não é apenas um restaurante, mas uma relíquia e, repetindo o garçon do Balzar, um verdadeiro tesouro. Apinhado, com as mesas coladas umas às outras a obrigar que os comensais socializem o tempo todo, a comida honesta, mas sem maiores frescuras.

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Sim, Woody Allen escolheu bem. Por isso, se vocês querem ter  Paris enquanto é tempo eu recomendo: vejam Meia-noite em Paris, depois tomem o primeiro avião da Air France e tratem de ir comer nos restaurantes que aparecem no filme. O Balzar, o Polidor e Chez Paul são muitíssimos bem representativos do que Paris cultivou de melhor no último século – a charla e a boa comida. Mas no Chez Paul eu não fui, pois só me restava uma noite, e eu não podia deixar de ir a outro dos meus musts de Paris, o Café de la Paix, no qual só consegui entrar após passar à frente, na recepção, de uma caravana de brasileiros que tentava conseguir mesa, todos a carregar, cada um deles, pelo menos uma dezena de sacolas das Galerias Laffayette.

 

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