Gosto de olhar vitrines

 

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Em “Bonequinha de Luxo”, numa das cenas mais icônicas do cinema, Audrey Hepburn desce de um táxi ao amanhecer na Quinta Avenida e, vestida para matar, abre um saquinho de papel e dele vai retirando – e consumindo distraidamente – os ítens do seu café da manhã enquanto aprecia as vitrines da joalheria Tifany´s. Baseado no romance de Truman Capote, não por acaso em inglês o filme tem o titulo do livro que é: “Breakfast at Tiffany´s”.

Muitas fofocas já foram contadas e escritas sobre o filme, inclusive aquela segundo a qual Truman queria Marilyn Monroe para o papel que acabou com Audrey… Mas não é o caso de aqui recordá-las. Do que eu quero falar é da minha mania de fazer praticamente a mesma coisa: caminhar pela Quinta Avenida naquele horário em que só os madrugadores passam vindo da farra ou a caminho do trabalho e olhar as vitrines mais bonitas do mundo – as de Nova Iorque.

Desta vez, na minha caminhada em pleno domingo, às 6h da manhã, quando ainda estava escuro, as vitrines iluminadas e a avenida deserta, resolvi mostrar a vocês parte do que vi – pelo menos as vitrines que mais me impressionaram – e dessa ideia resultou as fotos que aqui reproduzo.

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Não, em Paris ou Londres não há vitrines como essas. As de Nova Iorque são mesmo as mais bonitas do mundo. Tanto que, no Natal, filas são organizadas para que a multidão possa apreciar melhor as da Saks Quinta Avenida, que ganham em matéria de público com o tradicional show de Natal do Radio City, que fica ali pertinho.

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E no Brasil? Temos vitrines como essas? Não. Nem mesmo em São Paulo, onde em alguns shoppings o comércio é mais sofisticado. No Rio, a política dos vitrinistas é “quanto mais produtos expostos melhor” e por isso as vitrines passam a impressão de que tudo foi ali amontoado.

Aliás, nem sei se ainda existe a profissão de vitrinista, um profissional que, pela capacidade criativa, pode ganhar verdadeiras fortunas em Nova Iorque, Paris ou Londres, mas entre nós, assim como o seu trabalho, não é valorizado. Já o foi em tempos idos. Eu mesmo tive um parente que financiou os estudos universitários exercendo, com relativo sucesso, a profissão de vitrinista…

Mas isso foi no começo da década de 60. Agora… Se algum de vocês conhece um vitrinista que seja digno deste título, por favor me diga – eu gostaria de entrevistá-lo. Enquanto não faço isso, deliciem-se com as fotos que fiz na Quinta Avenida, neste domingo, no final da madrugada.

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One thought on “Gosto de olhar vitrines”

  1. Duque Olliver says:

    São lindas mesmo. Nunca vi nada semelhante à estas maravilhas.

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