Séries: cadê as caras novas?

 

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Bryan Cranston (acima) Kit Harington e John Hamm (abaixo): você já conhecia algum deles antes de virar estrelas de seriados?

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Don Draper (Jon Hamm) - Mad Men - Season 6, Episode 2 - Photo Credit: Michael Yarish/AMC

Aos finalistas do nosso concurso de webseries só vou pedir uma coisa: quando entrarem no mercado fechem questão quanto à escolha de elenco. Nada de star system, ator neste país é o que não falta, sigam o exemplo das séries americanas, deem preferência às caras novas.

O comentário acima, publicado por mim no Facebook, deu o que falar. Não faltou quem dissesse que eu estava criticando os elencos das minisséries da Globo.

Eu estava ou não estava?

Bom, não escrevi isso pensando nas minisséries da Globo, e sim nas americanas que ando vendo, cujos elencos em geral têm como protagonistas atores dos quais nunca ouvimos falar. Um exemplo? Em “Game of Thrones” o único ator relativamente conhecido, Sean Bean, morre no fim da primeira temporada… E são os novatos, ou pelo menos os desconhecidos do grande público que colhem os louros do ultra-mega-hiper sucesso. Ou alguém vai me dizer que já conhecia Kit Harrington antes de Jon Snow? Outro: alguém conhecia Bryan Cranston, o Heisenberg de “Breaking Bad”? Ou John Hamm, o protagonista de “Mad Man”? Voltando bem no passado, alguém aí conhecia James Gandolfini antes de “Os Sopranos”?

Todos eles se tornaram estrelas, mas nenhum emendou uma série na outra. A exceção, porque toda regra tem exceção, foi Bob Odenkirk (na foto abaixo), que não era o protagonista, mas também abafou em “Breaking Bad” e por isso protagoniza uma quase sequela desta série: “Better Call Saul”, já na segunda temporada.

Saul Goodman (Bob Odenkirk) - Breaking Bad - Season 4, Episode 3 - Photo Credit: Ursula Coyote/AMC - BBEpisode403Day3(CamA2)-145

Bob Odenkirki (acima), protagonista de Better Call Saul, escrita por Vince Gilligan (abaixo), que também foi o “showrunner” ou o criador de Breaking Bed.

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Ou seja: o que garante uma série é a história. Por isso os “showrunners”, como são chamados seus criadores, ganham rios de dinheiro e viram estrelas tão temperamentais que já mereceram até um livro – eu recomendo – chamado “Homens Difíceis”. São eles que mandam no seriado. São autores, dirigem alguns episódios e também ganham crédito como produtores. Estão, portanto, no absoluto comando.

Talvez por isso, em matéria de audiovisual, as séries sejam o grande sucesso do momento: porque o gênero assumiu o fato de que, sem uma boa história, sem um bom roteiro e sem um roteirista que saiba como bater com o pinto na mesa quando é preciso, não há ator que consiga sustentar uma produção só com sua linda voz e seus belos olhos.

Todos os anos dezenas de bons e jovens atores são lançados nas novelas, fazem sucesso em uma delas e depois caem no impiedoso funil do mercado. Por que não aproveitar essas caras novas – os mais talentosos, é claro – nas nossas séries e assim dar a elas a sensação de frescor, de novidades, de caras novas que nos dão as sérias americanas?

A propósito, devo eu falar de nossas séries atuais? Não como autor, mas como porta-voz deste portal, sim: devo. E o que posso dizer sobre nossas produções? Minha humilde opinião é que afinal começamos a nos enfronhar de maneira muito positiva no gênero. E não estou falando apenas das produções da Globo – há muitas séries por aí, nos canais não-convencionais, que, apesar das carências de produção (ou seja: de dinheiro) me surpreendem pela aplicação com que seus criadores andam se exercitando no gênero.

Claro, ainda há muito que mudar. A edição e a sonorização, por exemplo: precisam  romper de uma vez por todas os laços com a produção em massa das novelas e caprichar não apenas muito, mas muitíssimo. Mas o fato é que nossas séries, aqui e ali – e volto a repetir: principalmente no Globo – já brilham.

Falta apenas seguir de uma vez por todas o roteiro do gênero. E este é o seguinte: um roteirista tem uma ótima ideia, vende estas ideia a um produtor, que a produz… Mas é ele, o roteirista, o criador, o “showrunner” quem – para o bem ou para o mal – vai cuidar de sua ideia até o fim. Inclusive escolhendo o elenco e impedindo com este, pela quantidade de estrelas, se torne mais importante que o produto.

 

4 thoughts on “Séries: cadê as caras novas?”

  1. Ellen Christina Moreira says:

    Entendo!

  2. Julio Kadetti says:

    Seria maravilhoso se o roteirista brasileiro tivesse controle sobre sua obra após entrega-la a um produtor, mas infelizmente não acontecesse isso. Quando se interessa pelo roteiro as produtoras se apressam a apresentar contratos tirando do roteirista qualquer poder de decisão, seja na condução da história ou na escalação do elenco. Depois esse roteiro vai para as mãos de diretores que mutilam o escrito sem dó nem coerência. A verdade é que vivemos em um país onde a profissão de roteirista não é levada a sério. Onde roteirista é visto como aquele que precisa escrever de graça e rezar para ter seu roteiro lido… O termo “showrunner”, que parece ter virado a palavra da moda, não tem o menor sentido aqui no Brasil. Roteirista batendo o pinto na mesa só em produtora de vídeos pornos ( literalmente).

    1. Julielson Lima says:

      Disse tudo Julio Kadetti, Tudo ! Sem comentários…

  3. Duque Olliver says:

    Adorei a frase “bater com o pinto na mesa quando é preciso” kkkkkkkk. O que se deve fazer é isso mesmo, pois o roteirista é o dono da história, ele que sabe o rumo dos acontecimentos. Infelizmente no Brasil o “showrunner” é um boneco de marionete nas mãos dos produtores. Lamentável.

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