RJ: Amok Teatro estreia “Os Cadernos de Kindzu” no CCBB

O espetáculo “Os cadernos de Kindzu” está em cartaz no CCBB-RJ. Com direção de Ana Teixeira e Stephane Brodt, a nova criação do grupo Amok Teatro tem como ponto de partida a obra “Terra Sonambula” e o universo do escritor moçambicano, Mia Couto.

Thiago Catarino interpreta Kindzu na peça, dirigida por Ana Teixeira e Stephane Brodt – Divulgação/Daniel Barboza

O espetáculo conta a trajetória do jovem Kindzu, que, para fugir das atrocidades de uma devastadora guerra civil, deixa sua vila e parte para uma viagem iniciática. Nela encontra outros fugitivos, refugiados e personagens repletos de humanidade que lhe farão viver experiências, ancoradas tanto na cultura tradicional do sudeste da África, quanto na vivência de um conflito devastador.

“Como o menino Muidinga e o velho Tahir, do livro de Mia Couto, mergulhamos nos doze cadernos que compõem o diário de Kindzu e trilhamos a via das narrativas que revelam a dimensão onírica e mítica da existência, como formas de resistir à violência”, conta a diretora Ana Teixeira.

“Kindzu” é parte de uma trajetória iniciada com “Salina (A última vértebra)”, na qual o grupo investiga as formas narrativas, com inspiração em tradições de matriz africana. “Salina” e “Kindzu” trazem duas diferentes visões sobre o continente africano e duas diferentes propostas de linguagem cênica. Enquanto “Salina” é um mergulho numa África ancestral, “Kindzu” faz uma incursão numa África pós-colonial.

“O texto de ‘Os cadernos de Kindzu’ foi abordado com a abertura de quem busca um diálogo criativo e não uma tradução cênica de uma obra literária. Ao longo desse processo, uma nova narrativa foi se construindo. A trajetória de Kindzu e seus companheiros encontraram uma identidade própria na cena, porém não se afastaram da escrita de Mia Couto, da sua riqueza poética e suas imagens, ancoradas na cultura oral africana”, explica Stephane Brodt. 

Passando do conto à ação e da palavra ao canto, o espetáculo propõe uma incursão na guerra de independência do Moçambique para explorar a natureza humana e a necessidade de reconstruir a vida e a memória. Com “Os cadernos Kindzu”, o Amok Teatro aborda o fantástico e explora a língua portuguesa em diferentes sonoridades.

SERVIÇO:

Espetáculo: “Os cadernos Kindzu”.
Local: CCBB-RJ (Teatro III).
Endereço: Rua Primeiro de Março 66, Centro.
Telefone: (21) 2547-0156.
Classificação etária: 14 anos.
Temporada: De 26 de outubro a 18 de dezembro de 2016.
Horários: De quarta a domingo, às 19h30.
Duração: 120 minutos.
Ingressos: R$ 20.

2 thoughts on “RJ: Amok Teatro estreia “Os Cadernos de Kindzu” no CCBB”

  1. Valtair says:

    Que maravilha. Vivo me perguntando a razão pra prevalecer uma visão tão reducionista acerca da cultura afro que insiste em classificar o negro como descendente de escravo, quando há uma história pregressa tanto mais rica que essa. A cultura africana é muito rica e diversa, e abrange tanto conhecimento quanto as outras, mas foi marginalizada pelos europeus cristãos que a demonizaram e desvalorizam em detrimento da sua. “Os cadernos de Kindzu” certamente é um belo retrato de toda a riqueza e força dessa cultura.

  2. Thaís M. Da Silva says:

    É muito mais que uma peça teatral, é uma obra-prima, uma obra-mestra! O talento dos artistas (pois são mais do que atores, são fazedores de arte) é impressionante e arrebatador. A montagem é completa por si mesma, o enredo prende a atenção do espectador do início ao fim. As escolhas da direção na forma de conduzir as cenas mais duras é magistral! Nunca vi nada parecido! Recomendo a todos que amam a arte e o entretenimento de qualidade! Parabéns aos envolvidos, atores, direção, cenário, figurino, luz, etc. Saber que as músicas foram criadas pelos próprios atores é fenomenal. É um trabalho em que é patente o trabalho e o mergulho profundo de toda a equipe na história. Parabéns Amok Teatro! Mia Couto foi lindamente representado!

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