TELEVISÃO É COISA SÉRIA

Fico pasmo quando dou de cara com um jornalista que escreve sobre televisão, mas desdenha do assunto por considerá-lo pouco sério.

 

Sou, como vocês estão mortos de saber, um jornalista. Embora a televisão tenha me proporcionado, nesses 32 anos em que lá estou, benesses que o rala-rala de uma redação de jornal jamais daria, faço questão de pagar religiosamente a anuidade da Associação Brasileira de Imprensa. Mal recebo a carteirinha anual da ABI trato de plastificá-la, e ando sempre com ela no bolso. É como jornalista que ocupo esse espaço virtual, e não como uma celebridade em busca de exposição. Procuro ser o mais jornalístico possível nos meus textos, e levo em conta a objetividade até quando sou opinativo, ou quando dou ao que escrevo um caráter pessoal e intransferível, como agora faço.

Por que estou escrevendo isso?

Para dizer que adoro essa minha condição de jornalista; e por isso fico sempre pasmo quando dou de cara com um profissional do ramo que cobre um determinado assunto, mas desdenha dele por considerá-lo pouco sério. Isso acontece, com uma freqüência incrível, entre os jornalistas que cobrem televisão. Muitos só o fazem para desdenhar do veículo e seus profissionais. É como se escrevessem em cada matéria que perpetram o mesmo subtexto, que é: “só me submeto ao vexame de escrever sobre este assunto para mostrar o quanto ele é fútil e insignificante”.

No dia da festa de aniversário do meu portal, uma repórter foi lá com a visível intenção – revelada em cada pergunta da entrevista que fez comigo – de “detonar” tudo. Em busca de material, digamos assim, “pitoresco”, foi a primeira a chegar, e só saiu  após o último convidado. Claro, ela não contava com o astral altíssimo (vejam só a foto), nem com o clima de confraternização que reinou durante todo o tempo entre os presentes… Ou com o fato de que dentre eles estavam alguns dos maiores ícones do universo televisivo. Não houve baixarias nem micos: tudo deu certo. Assim, por mais que prestasse atenção a tudo, ela não achou o que detonar… E acabou não escrevendo nada sobre a festa.

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Este é apenas um exemplo. E a moça seria uma exceção, se a gente não lesse todos os dias notícias pouco verdadeirass ou cruéis na cobertura de assuntos televisivos. A regra parece ser: “como não é um assunto sério, a gente não precisa nem mesmo ser factual quando escreve sobre ele”. E então é um tal de editar duas frases pra que elas adquiram um terceiro sentido, de criar hipóteses e possíveis versões sem nada que as comprove… Se este velho jornalista que eu sou fosse chamado a dar um conselho a esses que cobrem o assunto “televisão” e desdenham dele, antes lhe perguntaria:

“Se não gosta do assunto, por que não pede ao teu chefe pra mudar de editoria?”

E só depois lhe diria:

“Preste atenção aos números. Pense na enorme quantidade de pessoas que o assunto sobre o qual escreve mobiliza. Sua revista deve fazer pesquisas a respeito e sabe disso: nela, nenhuma outra editoria tem tantos leitores quanto a sua, nem mesmo aquela dedicada à “novela” da política. Por isso, trate o assunto sobre o qual escreve com respeito pois, se ele mobiliza tantos leitores então é porque é sério. Orgulhe-se do que faz; não apenas como jornalista, mas também como pessoa, você só tem a ganhar com isso”.

Porém… Como conselho, se prestasse, não era dado e sim vendido, prefiro – como ainda se diz – ficar na minha, diboa ou que diabos seja a expressão em voga e seguir em frente com o meu trabalho. Estou naquela fase de começar a escrever uma novela, e isso me deixa mais sensível… Mas não tanto que não possa distribuir algumas patadas àqueles que escrevem o tal do “Aguinaldo Silva detona” este ou aquilo. Felizmente a moça a quem me refiro no começo da crônica desta vez não fez isso. E, a certa altura da festa, quando achou que ninguém estava olhando, ao som da DJ Lella, até ensaiou alguns passos de dança num canto mais discreto.

2 thoughts on “TELEVISÃO É COISA SÉRIA”

  1. Spectro-Méier says:

    Novela da Globo dita moda e comportamento no Brasil. E, para saber como era em determinada época, baste assistir o folhetim de outrora e verá ali, diante dos olhos, o reflexo da sociedade em questão. Quem ignora isso passa por cima da realidade.

  2. JOAO DARLEI says:

    Você é danado, ela foi pra notar e no fim acabou sendo a própria ser notada,kk

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