MIJANDO NO MURO DO BRASIL

 

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Dentre os representantes de povos indígenas que foram até Brasília mijar nas paredes do Palácio do Planalto em protesto contra a PEC dos Gastos, alguns me chamaram a atenção: eram os nativos da tribo tumbalalá.

Caramba: tumbalalá?!!!!

Sempre achei que esta palavra, cheia de som e fúria, porém vazia de qualquer sentido, fora inventada por algum desavisado compositor da Bossa Nova, já que ela é ouvida numa das canções daquele movimento musical.

Mas, não! Segundo órgãos do governo brasileiro, sempre pródigos em descobrir novas tribos e novos agrupamentos quilombolas – para os quais há sempre vantagens a oferecer – existe, sim, uma tribo com este nome especialmente exótico: os Tumbalalá, encontráveis num fim-de-mundo qualquer lá na Bahia, são tantos que conseguem até enviar representantes a Brasília. E tão esclarecidos que sabem uma coisa que eu nem sei direito: o que é a tal PEC dos Gastos .

Foi contra ela que resolveram protestar, repito, mijando nas paredes da sede do governo brasileiro, ao qual, a tribo de tumbalalenses e todas as suas congêneres, na qualidade de “nações”, não devem obediência, embora recebam de bom grado as cestas de bondade que este lhe oferece.

Uma pergunta que me fiz, me faço, e far-me-ei sempre, assim mesmo, com mesóclise: quem pagou a viagem destes índios a Brasília? Foi o próprio governo ao qual (repito) ao mijar nas paredes de sua sede, eles tiveram a clara intenção de desrespeitar?

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Aos interessados publico aí embaixo o texto oficial que reconheceu a existência dos índios Tumbalalá.

“Em dezembro de 2001 a Funai incluiu os Tumbalalá no quadro das comunidades indígenas reconhecidas e assistidas pelo Estado brasileiro. O reconhecimento oficial ocorreu após uma mobilização iniciada em meados de 1998 e direcionada para a adoção de projetos de articulação coletiva que gravitavam em torno de uma história, destino e origem comuns para as pessoas que formam hoje uma comunidade com fronteiras sociais em processo e ainda sem território demarcado.

“Habitando o sertão de Pambú, uma área na margem baiana do sub-médio São Francisco ocupada no passado por várias missões indígenas e alvo de criação extensiva de gado bovino durante os séculos XVII, XVIII e XIX, os Tumbalalá estão historicamente ligados a uma extensa rede indígena de comunicação interétnica, sendo, assim, parte e produto de relações regionais de trocas rituais e políticas que sustentam sua etnogênese no plano das identidades indígenas emergentes e os colocam no domínio etnográfico dos índios do Nordeste brasileiro.

“A estimativa do número de famílias que hoje compõem o grupo tumbalalá é bastante imprecisa, haja vista que o processo de auto-identificação está em curso e os critérios de pertença estão sendo internamente formulados. Durante o processo de identificação étnica realizado em 2001 foram confirmadas cerca de 180 famílias, mas, baseado em dados propostos por lideranças, o limite máximo potencial da população tumbalalá chega perto de 400 famílias, só devendo haver maior clareza quanto esse número após o término do processo de regularização fundiária do território.”

Querem saber? Vou criar minha própria tribo, já que é tão fácil assim criá-las, reconhecê-las e financiá-las e depois…

EU TAMBÉM VOU QUERER APITO!

 

12 thoughts on “MIJANDO NO MURO DO BRASIL”

  1. Sonia Clara Ghivelder says:

    Os inocentes Tumbalalas talvez sem saber fizeram a amostragem da nossa “civilização”.
    Começo a sentir vergonha desses tropicos onde por acaso nasci.
    Seu texto sem duvida é da maior qualidade.
    Sonia Clara.

  2. Felipe Petrucelli says:

    “Tumbalala”?!
    Juro que achei que fosse zoação sua, Aguinaldo, até perceber que falavas a sério.
    Agora você veja só, se nem mesmo os estudantes que estão ocupando as escolas sabem direito pelo qual estão protestando, imagina só esses índios.
    Claro que estão sendo usados pelos partidos de oposição, os mesmos que colocaram o país no buraco em que se encontra, mas que agora juram não ter nada a ver com isso.

    E eu também quero meu apito. Se não me, o pau vai comer.

  3. Spectro-Méier says:

    E eu pensando que eram parentes distantes da VOVÓ MAFALDA, que cantarolava com o Bozo: “Tumbalacatumba, tumba, tá …”

  4. Cecilia Tumbalalá says:

    Lamentável seu texto, apesar de ser apresentado como dramaturgo seu conhecimento não vai além da sua arrogância que transforma-se em ignorância a nosso respeito, vivemos debaixo do mesmo céu sob o mesmo chão a vida não escolhe por níveis econômicos, sociais ou intelectuais, mas precisamos gritar para nós mesmos que podemos e devemos ter atitudes de caráter com os conhecidos e os desconhecidos para fazer de nós diferentes, para sermos reconhecidos dentre tantos outros que assim como você acha que por possuir uma titularidade se julgue melhor. Acorda cara! Possivelmente você não faça nada pelas crianças ou jovens,mas nós independente de torcida organizada participamos com dignidade da luta pelos nossos direitos e sinceramente atacar moralmente pessoas dessa forma transformamdo reles parede em nação à uma mijada proibida de ser dada num banheiro ao invés de nos procurar para saber o significado da nossa atitude se julgando melhor preferiu transformar necessidades fútil publicidade.

  5. Jonas Carreiro says:

    Adorei o novo portal. Estava em Madrid e, quando abri, me deparei com esta novidade. Está ótimno!

  6. Josefina Aguiar says:

    Como é bom saber que, pela ordem, as próximas novelas das 21h serão de Glória Perez, Walcyr Carrasco e Aguinaldo Silva. Garantia de qualidade.

  7. Marta Plimpton. says:

    Aguinaldo, dá alguma pista para a gente sobre a sua novela.

  8. Leidiane Tumbalalá says:

    Olá Aguinaldo Silva, será que urinar nas paredes do Palácio do Planlto te ofendeu mesmo? ou você quer chamar atenção? Ou alguém te pagou pelo um texto ridículo? Você e sua corja não são dignos de falar sobre quem vocês não conhecem! Nós Povo Tumbalalá não precisamos de fama, queremos respeito! que os direitos que temos por lei sejam cumpridos! Agora você precisa do Povo para ter fama! Outra coisa: mijar nos muro do Brasil como diz você é não é nada diante da situação em que o Brasil se encontra! É uma vergonha ver a população brasileira sendo detonada pela uma maioria vampiros! que em quatro em quatro anos vão as ruas pedir o voto do Povo e depois não fazem nada! Nós só mijamos por que as portas foram fechadas! pior é vera merda que estar hoje no Brasil com PECs absurdas. O melhor que você faz é ir fazer suas novelas e rezar que tenha audiência. Só mais uma coizinha: Os indígenas quando estão em movimentos/protestos pelos seus direitos que são negados, não temos partidos políticos! Nós temos lutas! Beijinhos!!!!

  9. Maria Roberta Siniscalzzi says:

    Bon giorno, Aguinaldo, sou italiano, vivo no Brasil há quinze anos, e aprendi a falar português vendo suas novelas. Posso afirmar, sem medo de errar, que, de todos os novelistas, você é o que escreve os melhores diálogos. Fico muito feliz por saber que Senhora do Destino, uma novela que foi tão cara para mim, vai voltar à telinha da Globo pela terceira vez. Sucesso!

  10. Januário de Sousa says:

    Vai ter Curso de Atuação ano que vem? Quero matricular minha filha. Ela tem doze anos, e só pensa em ser atriz. Fazer um curso com você já é meio caminho andado – é ou não é?

  11. Raimundo Berganti says:

    Aguinaldo, você vai mesmo voltar ao realismo mágico em suas novelas? Espero que sim, porque isso é garantia certa de sucesso. Se bem que, com Senhora do Destino, uma novela realista – e que agora volta ao Vale a Pena Ver de Novo pela segunda vez – você tornou-se o recordista de audiência do milênio. Hihihi… Seus inimnigos, se é qaue os tem, porque todos te amam, devem estar quicando.

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