RJ: ‘Esperando Godot’ ganha versão dirigida por Elias Andreato

O dramaturgo e escritor irlandês Samuel Becket, vencedor do prêmio Nobel de Literatura, voltou-se para questões filosóficas sobre a condição humana, onde o tempo não existe senão como uma eternidade imóvel e morta e que tem como meio de expressão a decrepitude física dos corpos. A preocupação de Beckett não reside em mostrar o absurdo da existência a partir da vida social, mas sim através do choque do homem consigo mesmo, percebendo em seu íntimo a perplexidade desse encontro.

Em “Esperando Godot”, escrita no pós-guerra (1943-1953) ele explora uma situação estática, o lugar é deserto, somente uma árvore ao centro. Dois velhos vagabundos, Vladimir e Estragon estão esperando Godot. Nada acontece e a atmosfera de vacuidade e monotonia não é alterada senão pela passagem de Pozzo e Lucky (respectivamente, senhor e escravo) que, ao saírem fazem retornar o vazio. Para preencher o tempo, para enganar o tédio dos dias vazios e iguais, Vladimir e Estragon falam um com o outro mesmo sem ter o que dizer, travam brigas inúteis e refazem as mesmas perguntas, para assim preencherem o vazio da existência e para se darem ao menos, a impressão de existirem.

Claudio Fontana e Elias Andreato em cena, no espetáculo “Esperando Godot” – Divulgação/João Caldas

Elias Andreato nunca pensou em montar Godot, já chegou a usar seus trechos em alguns espetáculos, mas levantar a peça na íntegra não tinha sido um projeto seu ainda.

“Acho que por ignorância, imaginava que não tinha a ver comigo. Pensava que não tinha cacife para fazer, mas no camarim de ‘Réquiém para Antônio’, peça de Dib Carneiro Neto, dirigida pelo Gabriel Villela, perguntei para o Claudio Fontana, meu parceiro de cena, se ele tinha o desejo de montar algum texto, e ele respondeu que queria montar Godot. Então, disse que daria essa montagem de presente para ele, pelo seu talento, generosidade, pelo seu amor ao teatro e pela forma como ele valoriza os talentos dos outros”, conta o ator e diretor.

Um ano depois dessa conversa de camarim, quando Elias estava debruçado na obra de Becket, com olhar de diretor, estudando para encená-lo, Claudio Fontana o chamou para fazer esta montagem, produzida e idealizada pela atriz e produtora Daise Amaral.

“Produzir um texto como ‘Esperando Godot’, na velocidade do mundo hoje, onde a espera é a protagonista, é um grande desafio”, comenta Daise.

Claudio e Elias já tem uma rica trajetória artística juntos. 

Minha parceria com Elias Andreato nasceu da profunda admiração de um ator pelo trabalho de outro e cresceu pelo meu respeito ao respeito dele pelo teatro. Elias sabe o que é o ofício de ser ator. E como diretor, empresta a sensibilidade do ator e intuitivamente cria cenas belas e poéticas. Minha parceria com ele nasceu da direção de ‘Adivinhe quem vem para rezar’, espetáculo com Paulo Autran, passou por ‘Andaime’, onde ele dirigiu e atuou, ‘Mãe é Karma’, texto de Elias que produzi, ‘Amigas pero no mucho’, ‘Édipo Rei’ e finalmente ‘Um réquiem para Antonio”. Foi nos camarins “Réquiem” que ‘encontramos Godot'”, lembra Fontana.

SERVIÇO:

Espetáculo: “Esperando Godot”.
Local: Teatro de Arena.
Endereço: Rua Domingos Ferreira 160, Copacabana, Rio de Janeiro.
Telefone: (21) 2548-1088.
Classificação etária: 12 anos.
Temporada: De 1° a 18 de dezembro de 2016.
Horário: De quinta a sábado, às 20h30. Domingos, às 19h.
Duração: 80 minutos.
Ingresso: R$ 20.

One thought on “RJ: ‘Esperando Godot’ ganha versão dirigida por Elias Andreato”

  1. Valtair says:

    Ao questionar o cerne da existência humana a filosofia encontra respostas pra muitas coisas, embora tanta lucidez geralmente venha acompanhada de certo pessimismo. O fato de simplesmente esperar por algo ou alguém, e fazer disso a única tarefa de uma vida é limitador e melancólico demais. E ao que vejo a peça mostra o quanto o ócio apenas pelo ócio gera contendas desnecessárias e ações inúteis. Ótima pedida pra quem gosta de refletir e sair diferente de como entrou.

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