NOSSAS OITO TURMAS

 

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Não foi minha a idéia de criar um curso de atuação. Se fosse, por uma questão de modéstia, eu não o batizaria com meu nome. Mas os amigos Francisco Patrício, Luiz Nicolau e Júlia Carrera, autores da idéia original, acharam que eu era digno da homenagem e assim, em março deste ano, foi inaugurado no Espaço Paulo Pontes do Theatro Net o Curso Aguinaldo Silva de Atuação, com 220 alunos, um número acima de nossas previsões e no limite de nossa capacidade.

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Foram dez meses de curso intensivo em que as desistências não chegaram a quinze. E, durante esses dez meses, eu me questionei sobre o nome que lhe fora dado. Afinal, sou um roteirista e não um ator. Eu e estes trabalhamos no mesmo ramo, porém em segmentos diversos. Por isso, que direito tinha eu de dar meu nome a um curso de arte dramática?

Nestes dez meses enfrentamos alguns problemas. Não posso dizer que o Curso Aguinaldo Silva de Atuação navegou num plácido e perfumado mar de rosas. Neste final de ano, quando realizamos as provas finais de todas as turmas com grande êxito – tivemos lotação esgotada nas quatorze noites – estávamos todos esfalfados, caindo pelas tabelas e, quanto a mim, apesar do êxito, disposto a dar por encerrada a experiência.

O que mais pesava nesta minha decisão era o fato de me sentir um estrangeiro, alguém que sobrava naquele espaço. Afinal, apesar de algumas peças minhas terem sido encenadas, no teatro sempre me senti um estranho no ninho. Eu era jornalista antes, e depois roteirista de televisão e, assim como Glória Pires – por exemplo -, não tinha qualquer intimidade com os segredos, meandros e a magia do palco.

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Mas… Será que não tinha mesmo?

Na décima-segunda noite de nossas apresentações aconteceu um fato mágico. Enquanto a professora Renata Mafra entregava os diplomas aos alunos um senhor levantou da platéia, veio até a mim, tirou dois papéis amarelados da carteira e me mostrou. Um deles era um recorte de jornal de 1962 sobre a criação do Teatro de Equipe, o primeiro grupo de teatro profissional que existiu no Recife. O segundo era um recibo de mil cruzeiros, assinado por mim, por conta de serviços que aquele homem prestara como iluminador na peça “Entre Quatro Paredes”, de Jean-Paul Sartre, um espetáculo produzido pelo Teatro de Equipe que ficou durante nove meses em cartaz no teatro da Associação Pernambucana de Imprensa, em Pernambuco.

E este foi o fato mágico. Tantos foram os acontecimentos em minha vida que este eu tinha até esquecido: aos dezoito anos eu fundara um grupo de teatro profissional e assim me tornara um homem do palco!

Infelizmente não pude dar maiores atenções ao homem e seus recortes, já que exigiam minha presença para as fotos de praxe. Talvez não nos vejamos mais, embora eu queira muito isso. Pois graças à sua aparição diante de mim com aqueles recortes eu vi que estava errado quando me achava um estranho no ninho – sim, eu tive meu lugar no palco e agora que voltei não posso mais abrir mão disso… E o nome deste curso do qual estou à frente não é uma homenagem ao homem de televisão que sou, mas àquele que fui ainda na adolescência – um produtor de peças teatrais.

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O Teatro de Equipe de Pernambuco – como toda a efervescência cultural no Estado nos quatro primeiros anos da década de 60 – durou pouco. Em 1964, pouco antes do golpe, a equipe se desmanchou, com a saída de meus dois sócios – o jornalista Aron Mandel e a atriz Aurora Duarte. Mas, enquanto durou, suas produções foram grandes sucessos, que rendiam o bastante para que pagássemos muito bem atores e técnicos e ainda ganhássemos um bom dinheiro: isso já foi possível no teatro!

Além da peça de Sartre montamos uma versão super-produzida de “O Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, e uma peça minha, chamada mimosamente de “O Estranho Caso do Homem que Gostava de Mulher” cujo texto eu perdi numa das muitas derrapadas que dei durante este minha longa caminhada por este mundo cada vez mais louco.

A aparição daquele homem, que depois sumiu como se nosso encontro não tivesse acontecido, me fez decidir que a Escola Aguinaldo Silva de Atuação vai continuar sim. Entre outras coisas porque seus alunos anseiam por isso. E vai em busca de novos horizontes, já que em março vamos inaugurar nossa filial em São Paulo. Em breve abriremos as inscrições aqui e lá, portanto, os candidatos a atores – que sempre os há e todos ótimos – se preparem.

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5 thoughts on “NOSSAS OITO TURMAS”

  1. Alessandra says:

    Q lindo amo fazer parte desse projeto….ansiosa para ano que vem..

  2. Wilson Avelino Gomes says:

    Eu gostei muito de ter participado deste maravilhoso Espetáculo que representa a vida notrna do Autor Aguinaldo Silva do Livro Turno da Noite. Meu personagem que atuei foi incorporado no detetive Murta que usa u. disfarce . Vestindo-se de mulher para tentar solucionar o caso com o resgate do Menino Carlinhos.

  3. Leo says:

    Sr. Aguinaldo Silva espero que reciba esta advertencia en forma reconciliadora. En primer lugar soy un critico de bajo rendimiento y mediocre que me dedico por completo al estudio de la teledramaturgia y quisiera exponerle mis dudas y hasta mis imploraciones, he estado al pendiente de las ultimas noticias sobre el regreso de Dona María de Nazare Esteves Tedesco la cual a enloquecido a mucha gente y todo un Brasil huérfano espera a su madre, pero en mi opinión personal desearia que se quedaran las cosas tal y cual están. En mi vision y pupila los personajes de televisión mas arriesgados, feroces, antológicos y grades de la televisión de cualquier lugar en el contienente Americano son Catalina Creel (ambición), Tony Soprano (Los Sopranos), Walter White (Breaking Bad), Homero Simpson (Los Simpsons), Archie Bunker (All in Family), Odette Roitman de Vale Tudo, Viuda Porcina (Roque Santero) y claro Nazare Tedesco pero esto es apenas una parte de ellos, pero debo decir que la mas importante, durante anos he visto como el amor y la nostalgia han aumentado los deseos del telespectador por entregarse al pasado se esta reaccionado todo La Bella y la Bestia, Terminator, The X Files, Blade Runner, Arrested Development, Star Wars… es una época de retomar y eso lo sabe la Globo, ha sido un buen tiempo para los remakes de gran alcance El Astro, El Rebu, Saramadai, Haya Corazón y ahora quieren hacer un remake de Tieta (mi dios cuando aprenderan!), ante la caída de esta formula cada vez es mayor el retomo del publico por viejos personajes sean el Joker y Darth Vader, lo que hace a Nazare especial y irrepetible igual que estos dos últimos villanos es que ellos tienen un nemesis, es la prueba de que Nazare es el villano que no debe y no puede luchar contra Tieta, Maria Clara o Donatela puesto que ella es incompatible con cualquiera de las heroínas ya mencionadas, la trama de Tieta no le pega a Nazaret, ni Maria Clara tiene una relación con ella o Donatela que solo sabe sufrir por la rivalidad de Flora. Para Nazareth su especialidad virtud es su química con su oponente, es el robo del bebe en Senora del Destino no solo el motivo que hace la trama central sino también el hecho que convierte despues de todo a Maria Do Carmo en Senora del Destino despues de todo es la historia de Señora del destino no cuenta la historia de ricos y pobres separados por las diferencias sociales y económicas que tanto se repiten en el universo de las telenovelas. En este caso, se trata de contar la historia de una mujer a la que la vida le juega una mala pasada y cómo, a partir del drama del robo de un bebé, ella logra salir adelante, para torcer el infortunio y transformarse en la señora del destino. Lo que diferencia a Nazare del Joker es que este tiene una relación semi romántica con su némesis, o incluso la rivalidad entre Dios y el diablo que es el constante pisotear el uno en el otro pues si Do Carmo es la Senora del Bien, Naza es la malvada del destino y ese destino juega como el anillo de nibelungo quien no es mas que Isabel (Carolina Dieckman), lo especial de esta relación es que Do Carmo garantiza la supervivencia de Nazareth no al reves pero Nazare, promueve la supervivencia de toda una novela, cuando Naza se lanzo del puente y no había ningún motivo para que la novela siguiera apenas un capitulo mas, todo se trataba de que Naza es un personaje fuerte, el mas grande de la jerarquía olímpica de todo Senora del Destino llena de dioses en el recuerdo (Giovanni Impronta, María Do Carmo) y otros lamentablemente olvidados (Dirceu de Castro, Reginaldo) Naza se amarra la telenovela y es como si ella muere, la telenovela muere con ella, y hay es donde entendemos el pilar fundamental de la villana. Esa muerte es un complejo clásico, es un sacrificio teatral como el de Edipo, Hamlet, Lear o Severus Snape. Al regresar nos burlariamos de este inmenso sacrificio de amor y que la lleva mas a las estrellas a reinar como la diosa del mal que a la profundidad del rió San Francisco.
    Ahora usted se plantea rehacer a Naza, pero el problema es que al traer a Naza instantáneamente le tiene que traer a Do Carmo, y con ella a todo Senora del Destino, traerla a El Séptimo Guardián podría funcionar pero también se podría volver un personaje sin mucha función en la trama y que en vez de ayudar estorbara la presencia de Valentina, Clara y Gabriel y la historia de la casa que tiene las aguas mágicas, entonces el equilibrio se pierde pues Naza por mas amada que sea es esencialmente arte, pura riqueza artística en toda medida, y si es cierto que ya trajo otros personajes a la vida en otras telenovelas como Murilo Pontes devuelto en La Indomable y Ary Fontura en Puerto de los milagros pero no puedo siquiera comparar la magnitud de estos dos con la magnitud de Nazareth ella nació para vivir y ser recordada, ellos tienen que ser devueltos para el recuerdo de una vida. Así que le suplico que con cabeza fría piense en las consecuencias de su nueva trama, que sin duda alguna tiene lo esencia para ser un éxito una Clara poderosa Eleven (Onze) de Stranger Things, khaleesi daenerys en Game of Thrones o de Carrie eso suena bien, y Valentina una nueva Odette Roitman, o el trato de los temas serios a través de la comedia, lo que necesitamos son caras nuevas (nuevos personajes), una llenada de personajes pintorescos de los cuales podamos sentir como lo hicimos con Roque, Tieta, Pedra sobre…, La Indomable, el universo pulido de Cien anos de soledad. En estos momentos duros usted puede ser muy original, se trata ni mas ni menos de Aguinaldo Silva el autor que no solo creo las mejores telenovelas (Vale Todo, Roque Santero, tieta y Senora del Destino) sino las mayores audiencias. Parece que hay una maldición en las 21h, esperemos que el hechizo contrarrestare esto. Espero El Séptimo Guardián ansioso

  4. Spectro-Méier says:

    Aguinaldo meu nêgo, nada te impede de criar e cobrar por cursos de excelência, pois seu talento não se discute, mas pergunte pro seu coração se já “não passou da hora” de voltar com as aulas gratuitas, para quem não tem chance monetária de cursar algo pago. A Master 1 foi grátis, sem patrocínio. Faça algo mais simples e retome a linha 0800. Divida seu tempo e talento com quem não tem como pagar para ter acesso à eles. Enfim, fica mais uma vez a humiRde dica … E vamos que vamos.

    1. Aguinaldo Silva says:

      INTERVENÇÃQ DO SOMBRA: MEU CARO SPECTRO, SÓ O ALUGUEL DA SALA PARA A ÚLTIMA MASTER CLASS (EM SÃO PAULO) CUSTOU r$ 45 MIL. E O SR. AGUINALDO SILVA NÃO É ADEPTO DAS BENESSES DA LEI ROUANET, OU DOS EMPRÉSTIMOS A DOIS MIL ANOS SEM JUROS DO BNDES. PORTANTO… TEM QUE COBRAR SIM.

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