Após ter estreia adiada, filme com Tom Hanks, chega aos cinemas

A estréia de ‘Sully’ era pra ter acontecido duas semanas atrás.

Mas a tragédia com o avião da Chapecoense fez com que os distribuidores adiassem a entrada em cartaz do filme que trata exatamente de um quase-acidente aéreo.

A sinopse do filme é descrita assim: Em janeiro de 2009, o Capitão Chesley “Sully” Sullenberger consegue a façanha de pousar um avião em pane no Rio Hudson. Mas nem mesmo o feito que o eleva à posição de herói nacional impede as investigações sobre sua carreira e sua reputação.

A história é real e comovente. Um desses canais de TV a cabo fez a reconstituição do acidente e ver todos os passageiros se salvando depois de uma incrível perícia do piloto é inacreditável.

Mas o filme é essencialmente Sullenberger, seu heroísmo e seu périplo.

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Cena de ‘Sully’ no momento em que o piloto vai pousar o avião no Rio Hudson, nos EUA – Reprodução/Internet

Leia a crítica de Mario Abbade, de ‘O Globo’: Diante do lançamento de “Sully”, é impossível não relacionar a tragédia do avião que levava o time da Chapecoense com o acidente de Nova York em 2009 descrito no filme — tanto que o longa teve sua estreia adiada. Em ambos os casos, sobressaiu o fator humano. Enquanto o piloto americano foi considerado um herói que salvou os passageiros de um infortúnio, o boliviano entrou para o noticiário pela negligência e por ter priorizado a preocupação com as despesas. Apesar da decisão acertada de Chesley “Sully” Sullenberger de aterrissar no Rio Hudson, no entanto, o piloto sofreu enorme pressão do órgão de fiscalização NTSB (National Transportation Safety Board).

O drama com final feliz proporcionado pela atuação de Sully, que conseguiu salvar todos a bordo após as turbinas serem danificadas por pássaros, não interessou ao cineasta Clint Eastwood, mas, sim, os desdobramentos do caso. Sully passou meses em interrogatórios do NTSB, cujos simuladores deram algumas opções de aterrissagem, menos o tal pouso arriscado no rio, que resultou em mais despesa para a companhia.

A luta de Sully para provar suas convicções atraiu Eastwood para o projeto. O caso é exemplo de seu tema favorito: o indivíduo contra o sistema, independentemente de estar certo ou não. Isso é reforçado nos diversos momentos em que Eastwood coloca o espectador na pele de Sully (em ótima atuação de Tom Hanks) ao ser encurralado pelos questionamentos da investigação e pelo circo midiático. O diretor também transporta o público duas vezes para dentro do avião durante os 208 segundos que duraram o voo, provocando altas doses de tensão. O filme só perde o brilho ao tentar demonizar o NTSB, já que em qualquer acidente o procedimento exaustivo é praxe.

É até compreensível que era necessário um antagonista na trama, mas o interesse fica por conta de como Sully irá confrontá-lo. Esse embate é reforçado por uma câmera às vezes subjetiva, com o uso de janelas, vidros e espelhos na mise-en-scène. E não à toa o cartaz da produção reforça a posição de Sully como alguém fora do sistema. Mas, no caso do fatídico voo da Chapecoense, infelizmente, a corrosão do sistema venceu.

One thought on “Após ter estreia adiada, filme com Tom Hanks, chega aos cinemas”

  1. Olivia Cruz says:

    Este ator nos deixa outro projeto de qualidade, de todas as suas filmografias essa é a que eu mais gostei, acho que deve ser a grande variedade de talentos. O filme Sully. Em 2016 houve estréias cinematográficas excelentes, mas o meu preferido foi este filme por que além de ter uma produção excelente, a história é linda.

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