PARIS AINDA É UMA FESTA?

 

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Saio de São Paulo rumo a Paris na segunda-feira. E ao chegar lá no dia seguinte descubro que, enquanto viajava, aqui na Europa, de novo e como diriam os portugueses, “aconteceram acontecimentos”: mais um atentado mortal, de autoria outra vez reivindicada pelo auto-proclamado estado de islâmico. Desta vez foi na Alemanha, o país que mais acolheu refugiados do Oriente médio e cuja Primeira Ministra, talvez por causa disso, seja objeto do ódio de esquerdistas e fanáticos religiosos.

Chego no hotel, ligo a tevê em busca de notícias e ouço de sociólogos franceses, que são ainda mais radicais que os nossos, o mantra de sempre: se no atentado morreu um bando de alemães inocentes “a culpa é do Ocidente”.

Nada do que cedermos aos fanáticos religiosos do Leste aplacará seu ódio, assim como não fará com que os sociólogos radicais mudem de ideia a respeito de nossas intenções: eu, você e qualquer outro cidadão que sai de casa para trabalhar todos os dias e cumpre com seus deveres para com a família e o Estado em que vive – e morram quantos morram por querer levar essa vida normal – seremos sempre os culpados de todas as desgraças do mundo.

Saio para as ruas em busca de Paris e ainda a encontro. É a semana do Natal, as pessoas lotam as Galerias Laffayette tentando manter o espírito da época, porém, constato, nos vários andares da loja de departamentos há quase tantos policiais e seguranças quanto clientes.

E não só nas Galerias Laffayette, mas em qualquer local público que atraia multidões, como o Louvre por exemplo: o que mais se vê é o policiamento, ostensivo ou disfarçado, o primeiro a portar armamento pesado, o segundo a examinar com olhos de águia todos os passantes, que são abordados e revistados ao menor sinal de comportamento suspeito.

Nós, ocidentais, tentamos desesperadamente manter nosso modo de vida, aquele que escolhemos e que os radicais querem destruir a qualquer preço. Mas o fato é que fomos apanhados na nossa própria armadilha. As regras estritas do sistema democrático, baseado na liberdade de escolha do cidadão, ao mesmo tempo em que nos liberta, nos tolhe. Exemplo disso? Lá vai: embora o exército islâmico tenha assumido a autoria do atentado a televisão ainda chama seus autores de “supostos” terroristas, embora não possa chamar as vitimas de “supostas”, já que elas estão definitivamente mortas.

Enquanto os atos de terror se sucedem, ao falar ou escrever sobre eles temos que tomar cuidado com as palavras. O politicamente correto nos impede até mesmo de chamar pessoas que se envolvem com bombas e se fazem explodir num local público de fanáticos – no máximo eles seriam “supostos”.

Sempre ouvidos a respeito de tudo, os sociólogos radicais perguntam sobre o policiamento ostensivo ou disfarçado nas ruas de Paris:

“Será que isso é mesmo necessário?”

Muitas pessoas acham que sim. Outras, perturbadas na rotina dos seus dias por conta destes cuidados, reagem com impaciência quando são abordados e obrigados a mostrar o que carregam em suas bolsas e valises ou sob os casacos. Tudo isso sem perceber que não é a polícia quem nos perturba. São aqueles que acolhemos sem saber exatamente quem são, de onde vieram ou o que pretendem… E esta nossa liberalidade agora nos ameaça a todos.

Nos tempos de Ernest Hemingway Paris era uma festa. De certo modo ainda é, assim como o Rio de Janeiro ainda é chamada anacronicamente de Cidade Maravilhosa, mas eu me pergunto: até quando?

 

 

7 thoughts on “PARIS AINDA É UMA FESTA?”

  1. Moacir jard says:

    Palavras de uma amiga: é o que penso e de certa forma já vivo, no momento sinto muito Medo do bicho Homem…como o ser humano ficou com um coração tão ruim deste jeito?
    :
    “O retrocesso do pensamento é nitido no mundo de hoje. Pouco a pouco voltamos à idade média, guerra de religiões, mortes em nome do seus Deuses, ataques no mundo todo. Nossas casas estão virando cavernas onde nos entocamos é só saimos para atacar.
    Aleppo existe em muitos países devastados pela ignorância de poucos submetendo muitos. Pseudo-democracias se instalam por toda parte. São permitidas pilhagens e súcia de malfeitores governando como no exemplo do Brasil. É permitido matar mulheres, crianças, homossexuais e não somos do Isis. Leis não são cumpridas e o que vemos são povos zumbis por esse mundo afora. Educar virou palavrão e é só um tema de discussões infindáveis.
    Preparem bem suas cavernas. É dentro delas que passaremos nossas vidas nesse ritmo de deterioração da sociedade.

  2. Moacir jardim says:

    Por receber tantos “migrantes” a cabeça da primeira ministra Angela Merkel pode ser cortada na eleição do ano que vem, tal qual nos USA os alemães de classe média voltam se para a direita radical ainda mais radical do que o partido de Merkel o CDU…cristãos democráticos…o que significa que partidos Nazistas como o AFD, Pro Koeln e outros crescem. Assustadoramente como movimentos fora Extrangeiros…. a história se repete.. .Adolfo deve voltar com seu cabelo chapinha e bigode……apocalipse now

  3. Fred Arouca says:

    Triste com esses tempos de agora, onde tudo se esgota.

  4. Julio Kadetti says:

    Lembrei da MARINA LIMA: Pra Começar

    Pra começar
    Quem vai colar
    Os tais caquinhos
    Do velho mundo
    Ninguém aqui vai
    Pátrias, Famílias, Religiões…
    Religiões
    E preconceitos
    Quebrou não tem mais jeito
    Agora descubra de verdade
    O que você ama…
    Que tudo pode ser seu
    Se tudo caiu
    Que tudo caia
    Pois tudo raia
    E o mundo pode ser seu
    Todinho meu
    todinho meu e seu…”

    Divirta-se por ai! Só tome cuidado com os caminhões. Se vc ver algum vindo em sua direção, mesmo que seja o do lixo, saia correndo…

  5. Nina Buah says:

    Vocé é Iluminado!

  6. João Henrique Rodrigues Porto says:

    Adoraria trabalhar com o Aguinaldo Silva em uma série ou novela

  7. Spectro-Méier says:

    Há cada vez menos humano no ser.

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