QUEM FOI MELHOR ESTE ANO?

 

Escolher os meus melhores do ano. Eu tinha prometido a mim mesmo que não faria mais isso, pois é impossível escolher os melhores sem falar em televisão, e bem, quando se fala em melhores de televisão… A modéstia me impede de continuar. Mas, como este ano fiquei ausente da telinha, posso dizer o que achei melhor na televisão sem incorrer no perigo – ou pecado – de falar em mim mesmo, portanto… Aí vai.

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O melhor da televisão este ano, para mim, não foi produzido aqui, mas alhures, mais precisamente na Inglaterra: The Crown, ou A Coroa, que, assim traduzido, fala de uma senhora coroa, toda serelepe e pimpona nos seus 90 anos… A Rainha Elizabeth II.

Ao narrar, em sua temporada inicial, os verdes anos de Elizabeth, sua coração e seus primeiros embates com a arte de governar, The Crown deu uma lição que a televisão brasileira precisa aprender: fazer ficção a partir de personagens históricos reais sem se tornar uma versão menos talentosa da assim chamada História. Ficção é ficção, e como tal devem ser tratados personagens reais quando biografados.

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The Crown, na medida exata, foi ficção quando precisou sê-lo, e foi fiel à História quando seria criminoso desvirtuá-la. Elizabeth II, assim como Churchill, que também pontifica na série, é um grande personagem da vida real. E quando essa grandeza é ressaltada com as tintas da ficção e os toques do melodrama, como aconteceu nesta primorosa série, ganham a história e a História, e o telespectador é quem leva vantagem.

Mas aí vocês perguntam: escolher o melhor do ano na televisão a cabo e num canal, o Netflix, que permite acesso a poucos? E eu respondo: fazer o que, se nossa televisão este ano não saiu do assim chamado rame-rame? Se tudo o que se fez foi repetir fórmulas já gastas, até mesmo em Os Dez Mandamentos da Record, uma extravagância, em todos os sentidos da palavra, digna do diretor norte-americano Cecil B. de Mille no auge do seu mau gosto?

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Nossa televisão este ano não apresentou nada de novo no front… A não ser, pasmem, no tratamento da realidade, que esta sim, dominou a telinha nos noticiários dentre os quais o Jornal Nacional mais uma vez se destacou como o melhor de todos.

Das novelas eu diria o quê? Diria que nós, autores, estamos em crise, e o motivo dessa crise é que a novela passou a ter vergonha de suas origens – o folhetim – e quis desesperadamente se tornar outra coisa. E novela, quando não é folhetim, não é mais novela e, portanto, não funciona. Novela temática, ou política, ou o raio que a parta, pode estar cheia de boas intenções, mas não engana o telespectador, que vê nelas intenções outras que não apenas diverti-lo e, como tem o controle remoto sempre à mão, vai buscar diversão em outra parte.

Do que precisamos então? De uma velha e boa novela à moda antiga, sem vergonha de ser o que é: louca, sempre no limite, sem medo de ser ridícula, enfim… Completamente desvairada. Não sei se ainda teremos isso algum dia, mas eu torço para que tenhamos sim. Porque, se as novelas continuarem como estão, sérias, sisudas, vazias de som e fúria, mas cheias de significados, bem, escrevam aí nos seus caderninhos o que vou lhes dizer agora… Elas acabam.

Para quem disse que não ia falar de televisão eu falei demais da conta, foi ou não foi?

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Para não dizer que não falei de flores – quer dizer, de outras coisas, vou dizer agora qual foi, para mim, o livro do ano: em todos os sentidos foi Jantar Secreto de Raphael Montes (na foto acima). Enfim, um escritor brasileiro que não é sócio do clubezinho fechado da metalinguagem, mas pratica a velha e boa ficção literária, mostra um perfeito domínio da arte, e produz histórias originais e palpitantes.

Este último livro de Raphael Pontes, tenho certeza, vai acabar se tornando um filme em Hollywood. E como além de escrever grandes livros ele é também roteirista de cinema e tevê – foi um dos co-roteiristas de Avenida Brasil se não me engano -, quem sabe não será ele quem escreverá a novela sem pudor, desavergonhada, que eu e todos os outros telespectadores estamos esperando?

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Falei demais sobre televisão e sobre literatura, falta ainda o teatro, vou ser bem sucinto. Meu coração este ano ficou dividido entre dois espetáculos, uma (quase) tragédia, Gota d´Agua (a seco) e uma comédia em que Dan Stolbach dá uma lição sobre a alegria de subir no palco e atuar: Morte Acidental de um Anarquista. As duas peças voltarão ao cartaz em 2017, por isso eu recomendo: não percam.

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Música? Bem, música agora é clipe, e clipe, não tem como negar, são os de Anitta. Sou fã da moça, assim como sou fã  dos videoclipes de outra moça um pouco mais antiga – embora não pareça – a dona dos adjetivos que você possa pronunciar em sessenta segundos sabendo que ela fez por merecer todos, do melhor ao pior… Madonna.

Ah, os melhores do ano… Será que faltou alguma coisa? Claro que sim, na internet a gente tem que economizar espaço ou a turma faz igual aos telespectadores, muda de canal e pronto. Assim, os melhores sobre os quais não falei ficam para o próximo ano.

10 thoughts on “QUEM FOI MELHOR ESTE ANO?”

  1. Janaina Ávila says:

    Ansiosa pela sua novela!

  2. Julielson says:

    Bem Aguinaldo. Como não vi quase nada fora da Tv brasileira este ano, destaco como meu produto favorito ,a série JUSTIÇA. Maravilhosa em todos os sentidos.
    No teatro em 2016 tive o prazer de ver o espetáculo gota d’água. Ainda lembro dos agudos de Laila ecoando pelo tetaro Net. Show de bola.
    Enfim… Vamos que vamos. Que 2017 nos brinde com grandes obras na televisão,cinema,teatro e literatura. Grande abraço.

  3. Julio Kadetti says:

    O desafio agora é listar os piores do ano. Tem coragem?

  4. Flávia Reis says:

    Nunca tive oportunidade de ler os livros de Raphael Montes (apesar de trabalhar numa grande livraria…), mas me diverti muito com o seu “Turno da Noite”, lido de um fôlego só, e garanto na lista dos melhores do ano também!

  5. Flávia Reis says:

    Nunca tive oportunidade de ler os livros de Raphael Montes (apesar de trabalhar numa grande livraria…), mas me diverti muito com o seu “Turno da Noite”, lido de um fôlego só, e garanto na lista dos melhores do ano também!

  6. Lara Simeao Romero says:

    Um dos melhores do ano: esse texto.
    Long life to Aguinaldosilva.com.br.
    Um beijo e um cheiro.

  7. Fred Arouca says:

    Vou ler esse livro : jantar secreto. Adoro suas dicas!

    Você está certíssimo. Esse ano também fiquei bem ausente dos canais abertos. Novelas não vi nenhuma. Ja não gosto da fórmula. A serie Liberdade liberdade, vi pois estava viajando na NZ e assistia no lap top. Só vejo o JN.

    Mas as series bradileiras da globo estão caminhando para a excelência. Estão ficando competitivas com muitas internacionais. Achei 3% muito ruim.

  8. Marco says:

    Querido Aguinaldo Silva aproveite as suas férias em Paris o senhor está completamente certíssimo a novela atualmente está muito séria falta aquela vilã como o senhor sabe fazer por exemplo a nossa querida e terrível Nazaré tedesco, falta aquela personagem cómica como o crodualdo Valério e aquela personagem dramática corajosa e que supera todos os obstáculos como a Maria do Carmo e a Cristina. A novela na minha opinião é aquele momento em que o telespectador ao fim de um dia de trabalho pode sentar no sofá e deleciar se dá companhia dos seus personagens sentir o que eles sentem por exemplo sentir as suas alegrias, as suas tristezas e no fim do capítulo ansiar pelo próximo capítulo como se cada capítulo fosse o último e aproveitar ao máximo cada um. Um enorme abraço de Portugal terra que delira por suas obras e que aguardar pela sua próxima grandiosa obra que o senhor imperador das novelas sabe fazer bem e já deu diversas provas disso.

  9. Duque says:

    Não consigo assistir mais nenhuma novela. Meus amigos se espantaram quando disse isso. Justo eu, que sempre as amei incondicionalmente. Está insaturada uma crise de boas histórias. Há uma carência expressiva de bons argumentos. Acreditava no sucesso de A Lei do Amor. A primeira fase foi muito tocante. Mas até agora não entendi o motivo do prólogo. Foi desnecessário. A segunda fase começou e as rédeas da trama foram perdendo a força.

  10. José says:

    A melhor novela do ano foi, totalmente demais, uma história cheia de emoções que fez o Brasil para pra assistir. Espero que a sua novela traga um pouco das grandes histórias que faz agente sonhar, chega de novelas com realidade.

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