CHAMEM OSWALDO CRUZ!

 

Espera-se que a vacinação contra a febre amarela não provoque uma nova revolta naqueles que vem males e conspirações em tudo.

revolta da vacina 06 - alta

Em 1904, se alguém desembarcasse no Rio de Janeiro, sobrevivesse aos eflúvios respirados ainda no cais nas primeiras horas e perguntasse a um morador local: “esta é a cidade maravilhosa?” Ouviria dele que não. Pois o Rio era conhecida então como a Cidade da Morte, por causa da pandemia de febre amarela que dizimava centenas de pessoas por mês, com destaque, dentre estas, para os visitantes desacostumado com os ares pestilentos da cidade e aqueles que moravam nela, porém, de menor poder aquisitivo, não podia escapar da doença fugindo no verão para as cidades serranas  ou o bairro de Santa Teresa

O Rio era tão “mortal” que navios vindos da Europa rumo a Buenos Aires chegavam a entrar na baía para ver a paisagem… Mas ficavam ao largo, afastados do Cais Pharoux, e de lá iam embora. Dos imigrantes que chegavam a pisar em solo carioca, muitos pegavam a febre ainda na Praça Quinze e morriam às centenas. Há milhares de relatos em Portugal sobre pessoas que vieram para cá e das quais nunca mais se teve qualquer notícia. Foram vítimas da febre. Só uma minoria escapava.

Foi então que Rodrigues Alves, então Presidente da República, deu plenos poderes a Pereira Passos, o prefeito da cidade, para transformar o muquifo que era o Rio numa cidade moderna e, principalmente, higienizada, nos moldes das grandes capitais do mundo. Isso incluía não apenas profundas transformações urbanas, mas também uma radical mudança de hábitos dos seus moradores, habituados a atirar o conteúdo dos penicos pelas janelas sem sequer olhar se alguém passava… O que os levava a uma questão essencial: a da saúde publica.

Para cuidar desta questão o Prefeito Pereira Passos escolheu a pessoa mais gabaritada: o sanitarista Oswaldo Cruz (na charge aqui publicada), que decidiu vacinar a população inteira contra a doença que a ceifava – a febre que era transmitida, como nossos males mais terríveis de agora, por um mosquito.

Os eternos adeptos da teoria da conspiração, e aqueles cuja ideologia se alimenta irresponsavelmente da miséria alheia, imediatamente viram na vacina um perigo inexistente e atribuíram a ela um objetivo maléfico: “matar todos os pobres”. Essas mesmas pessoas naõ se envergonharam de afirmar com todas as letras que a vacina contra a gripe, a qual passou a ser aplicada há alguns anos, tinha como objetivo “matar todos os idosos”. Na época eu ouvi isso até de médicos.

Voltando a 1904: foi que aconteceu o episódio conhecido como “A Revolta da Vacina”, quando as pessoas, incentivadas pelos boatos e notícias falsas, foram às ruas para  consumar o habitual quebra-quebra. Mas Oswaldo Cruz (na caricatura acima e na foto abaixo), que deu nome ao Instituto Oswaldo Cruz, hoje especializado na pesquisa e fabricação de facinas, agiu com dureza. E não se acovardou diante das ações de supostos revoltosos para a única ação que, nestes casos, consideram válida: o quebra-quebra generalizado, a destruição dos patrimônio público e privado.

osvaldocruzreproducao

Agora que será preciso vacinar de novo toda a população do Estado do Rio contra a febre amarela, uma doença que graças aos esforços de Pereira Passos e Oswaldo Cruz tinha sido erradicada, mas agora voltou com força, espera-se que os adeptos da teoria da conspiração não voltem a rua supostamente para defender os pobres, esquecendo que, em caso de uma pandemia como aquela de 1904, estes serão sempre as primeiras vítimas.

2 thoughts on “CHAMEM OSWALDO CRUZ!”

  1. Jacob says:

    Muito boa a reflexão

  2. Rafaella says:

    Resta saber se o estado falido do Rio irá fazer alguma coisa

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