‘A Força do Querer’ é novela com cara e jeito de novelão

Não adianta ninguém querer inventar a roda.

Novela é folhetim e não produto de experimentações estéticas utilizadas ao bel prazer de diretores egocêntricos.

Tampouco é produto para se menosprezar, deixando cair na monotonia das acomodações, como também fazem certos autores e diretores.

Novela é entretenimento, o que não isenta os autores de fazerem o chamado merchandising social. No entanto, campanhas nunca devem estar acima do drama, dos conflitos de amor e ódio, de justiça e vingança.

Mas é preciso ser antes de tudo, popular. E não economizar em personagens populares, embora em certos casos, alguns soem caricatos.

Não importa! Quando uma novela se cerca de bons personagens populares, daqueles que caem no gosto do público já na primeira cena, sejam mocinhos ou vilões, aí autores e diretores podem partir pro abraço,  como se diz na linguagem do futebol, porque é sucesso na certa.

Estão aí para provar: Nazaré Tedesco (Senhora do Destino), Viúva Porcina (Roque Santeiro), as Marias do Carmo (Senhora do Destino e Rainha da Sucata), Tancinha (Sassaricando), Maria de Fátima (Vale Tudo), Giovanni Improtta (Senhora do Destino), Comendador José Alfredo (Império), Carminha (Avenida Brasil), As Helenas de Manoel Carlos  e tantas e tantos outros personagens tão populares que ganharam vida própria mesmo com o fim das tramas.

Quem assistiu à primeira semana de ‘A Força do Querer’, de Glória Perez, testemunhou um desses exemplos.

A personagem Ritinha, uma interpretação solar de Isis Valverde, a protagonista da história, já chegou chegando. Tresloucada, aventureira, livre… não importa que adjetivos damos para qualificá-la ou o contrário. Já caiu no gosto do público.

Não há quem não se divirta – ou mesmo se comova – com as cenas da ribeirinha sonhadora que, de tão apaixonada pelas águas, acaba aderindo ao sereismo, movimento, aliás, que ganha adeptos mundo afora a cada dia…

Do outro lado da balança está Bibi, de Juliana Paz, numa interpretação ao mesmo tempo contida e explosiva. Ela tem levado tão bem a personagem sofredora, que certamente ninguém irá odiá-la quando a mãe de família certinha virar a rainha do tráfico de drogas no Rio de Janeiro.

A novela ainda tem a viciada em jogos, Silvana, de Lilia Cabral, que dispensa comentários.

E tem o elenco masculino de grandes atores como Humberto Martins (Eurico), Dan Stulbach (Eugênio), Rodrigo Lombardi (Caio) cada um com seu fardo, mas todos muito bem representados pela figura de Zeca, um caminhoneiro vivido com total entrega por Marco Pigossi, passando a maior parte da vida nas estradas esburacadas do país a transportar mercadorias do norte para o sul. Mais popular, impossível!

Resultado? A audiência, um tanto quanto sonolenta nas tramas policiais e políticas de outrora, acordou. A primeira semana de ‘A Força do Querer’ registrou 30,5 pontos, média dentro do estabelecido pela TV Globo para o horário.

Se seguir nessa linha, com uma boa história e personagens cativantes, não será surpresa se chegar aos 35 ou até mais.

 

 

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