ATORES: COMO NÃO VÊ-LOS?

 

Como vocês já devem ter percebido ando às voltas com as provas finais do Curso Aguinaldo Silva de Atuação. Rio de Janeiro, Osasco, São Paulo… São mais de 400 alunos no total, todos sequiosos de seguir esta difícil, porém maravilhosa provisão de ator. Nestas semanas em que já vi dez espetáculos, presenciei momentos mágicos e vislumbrei, dentre os alunos, algumas grandes revelações: atores, sem dúvida, que têm o dom, mesmo que ainda não tenham a experiência e que, sem dúvida, seguirão carreira.

O que eu vi? Uma magnífica coletânea de textos de Nelson Rodrigues – o nosso maior dramaturgo de todos os tempos e um gênio da raça brasileira – a cargo dos alunos do professor Henrique Tavares; uma sutil, delicada adaptação de “A Gaivota” Tchekov encenada pelos alunos da professora Júlia Carrera; uma compilação de grandes momentos das peças de Ariano Suassuna, encenada com uma força telúrica digna de um grupo de teatro nordestino sob a égide do professor Júlio Luz; e uma prodigiosa adaptação de “Canção de Bernadete”, um texto meu adaptado para o teatro por Maciel Silva e encenado pelos alunos da professora Einat Falbel; e uma criativa adaptação de “A Hora da Estrela”, um dos textos mais icônicos de Clarice Lispector, também dirigido pela professora Einat Falbel.

Mas estou falando dos adultos… E o curso também tem turmas de crianças, algumas já com experiência de vida profissional. Coube a elas montar uma ousada releitura, do ponto de vista infantil, de cenas de Shakespeare – outra vez dirigida por Júlia Carrera – e uma versão bem abrasileirada de Pinocchio a cargo de Einat Falbel.

Eu já disse várias vezes o quanto aprecio o trabalho de atores. Gosto de escrever e depois ver o que eles farão com o meu texto – e eles sempre fazem muito mais do que eu poderia esperar. Atores são seres mágicos… E também são, pelo menos para mim, assustadores, pois eu sempre me assusto com a capacidade que eles têm de viver várias vidas.

E esta experiência de ver atores – muitos ainda no começo de suas possíveis carreiras – trabalhar com afinco durante um ano com uma sede de conhecimentos que nunca é saciada e sempre pede mais –, neste ano de 2017 de tantas dificuldades e tropeços, momentos de prazer e felicidade únicos.

Ainda tenho três espetáculos de formatura para ver. Um em Osasco e dois no Teatro Folha, aqui em São Paulo. Tenho certeza que os verei com o maior prazer… E prometo que darei toda força que puder à Casa Aguinaldo Silva de Artes para que prossiga, ano que vem, com seus cursos de atuação, pois sei, por experiência própria, que precisamos e sempre precisaremos de novos e talentosos atores.

CASA – Rua Major Sertório 476 – Vila Buarque – SP

11-95786-7307 / 21-99838-3573

contato@casadeartes.art..br

2 thoughts on “ATORES: COMO NÃO VÊ-LOS?”

  1. Mayara Dias says:

    Tenho acompanhado tudo pelo facebook, muito emocionante. Parabéns aos alunos e a você Aguinaldo. Abraço

  2. Anne says:

    Eu não gostei da interpretação da atriz não. Achei muito over, exagerada, expôs demais, não me passou verdade. Desculpe-me, sei que você gostou, mas sabe como é, gosto é uma questão pessoal. Sinto falta de uma certa elegância nos palcos, algo que se possa assistir e sair encantado com a atriz, com o espetáculo, querendo voltar para ver novamente, mesmo que seja um texto de Nelson Rodrigues, e até por isto, acho que daria para ser diferente. Quanto ao ator eu gosto, ele passa uma “ingenuidade” verdadeira que me fez acreditar na interpretação dele.

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