ASSÉDIO: A NOVA ARMA LETAL

 

Uma denúncia de assédio, supostamente ocorrida há oito anos, e feita por carta anônima, ou seja, sem que ninguém assumisse a responsabilidade por ela, mesmo assim levou o bailarino brasileiro Marcelo Gomes (na foto abaixo) a pedir demissão do American Ballet e a companhia de dança a anunciar uma “severa investigação” a respeito. Detalhe: segundo a tal denúncia, o assédio não teve como “vítima” ninguém ligado ao American Ballet, mas, mesmo assim, a empresa aceitou o pedido de demissão do seu primeiro bailarino.

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Carta anônima, gente! Onde é que isso vai parar?

Não que eu seja a favor de quem assedia. Mas a única maneira de denunciar um crime é através de uma queixa formal na polícia. Do contrário, tudo não passa de meras fofocas ou disse-me-disse.

O fato é que, neste momento, através de fofoca, disse-me-disse ou carta anônima qualquer pessoa pode ter a vida destruída por causa de uma acusação de assédio sem que nada precise ser comprovado.

E não adianta se defender, dizer que não é verdade, ou que o tal “assédio” ocorreu sob determinado contexto.

Também não adianta questionar porque as supostas vítimas sempre deixam passar muitos anos antes de fazer suas denúncias, ou porque não reagiram na hora. Dizer que não reagiram porque os supostos assediadores eram homens poderosos e podiam, por exemplo, prejudicá-las em suas carreiras, não devia bastar para que todos se enquadrassem no papel de vítimas… Mas o fato é que basta.

Assim como basta, para servir de prova, uma simples selfie na qual o acusado apareça demonstrando alguma intimidade com a pessoa que no fim de contas foi quem lhe pediu a foto.

Eu mesmo sei – mas vou ficar no terreno da fofoca e do disse-me-disse e não dar nome aos bois – de um jovem e promissor ator de quem uma foto vem sendo exibida para várias pessoas  como um sinal de “possível intimidade” pela moça que nela aparece ao seu lado . Quem pediu para fazer a selfie não foi ele, foi ela. Mas disso para uma futura acusação de assédio é apenas um passo, suficiente para que a carreira do ator em questão seja encerrada.

 

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9 thoughts on “ASSÉDIO: A NOVA ARMA LETAL”

  1. Carlos Emiliano says:

    Esse é o ponto. Não se está exigindo mais nada além de uma denúncia! E pode ser anônima, meu Deus! Seu texto levanta bem a questão, mas coloca outra: é agora, o que fazer?

  2. Débora Boechat Montes says:

    Concordo que hoje todos precisamos ter cuidado com a proximidade de relações pessoais com quem a maioria pensa ser de bem…com uma câmera no cinema se inventa lindas histórias por exemplo. Mas com um celular qualquer um inventa qualquer coisa.

  3. Lidia says:

    As “em-presas” no geral não querem enfrentar os problemas, querem saber o QUANTO elas perderão com isso. A realidade que tudo têm os dois lados, claro que assediar entre outros conflitos é crime, mas resolve-los fica mais bonito.
    O meu filho sempre falo com o meu marido, não é parar de brincar , e sim ensinar a criança como brincar. No geral pra resolver as pessoas preferem eliminar e isso é ridículo. Que diga a Globo ontem tentando justificar a saída do Jornalista através de um recado dado por um colega, pra mim tudo isso precisa ser bem resolvido e inclusive contextualizado.

  4. Lidia says:

    *leia-se na parte do meu filho pois o mesmo sempre que brinca acontece algo de anormal o meu marido quer q pare de brincar.

  5. Julio Cesar Goncalves Correa says:

    Muito oportuno o seu artigo, Agnaldo. Hoje, com advento das redes sociais, parece que a maldade virou esporte. As redes fizeram surgir aquilo que eu mesmo denominei de “terrorista social”, para quem o seu teclado é uma escopeta ou um carro que eu jogo em cima de quem eu simplesmente não gosto ou de quem quero tirar alguma vantagem. Já se foi o tempo em que tirar uma foto com uma celebridade era simplesmente um meio de demonstrar admiração ou levar consigo uma lembrança de alguém querido. Hoje em dia eu aceito ir para cama com alguém para não perder o emprego. Anos mais tarde, quando eu estiver em uma situação profissional melhor eu aciono a minha escopeta. Certamente acompanhado(a) de gananciosos advogados – e o campo do assédio sexual tem feito surgir batalhões desses profissionais – para fazer um acordo com aquele(a) nos braços de quem tantas vezes estive, para garantir uma polpuda recompensa e adquirir uma maior tranquilidade financeira. É a maldade como investimento. O certo e o errado parece ser uma névoa, um fantasma não identificável. O mundo de hoje está um horror!
    Abraço

  6. Paulo Cabral says:

    Olá. Já nos meus 62 anos e ciente de todos podemos tudo, compartilho com voce da mesma opinião a respeito do assunto. Destroem-se nomes, carreiras. Por capricho? Vingança? O pior é que não há a demonstração de que, em quais circunstâncias o fato ocorreu. Devemos ser realistas na análise dos fatos.

  7. Mari Angela says:

    Nossa que horror!!
    Mesmo que “supostamente, acredito que a academia American Ballet, deveria antes de forçar a demissão; investigar “essa carta anônima”.
    Sinceramente, uma pessoa perder o trabalho, por causa de uma denúncia não definitivamente transparente em fatos reais, não é cabível!!
    Esse bailarino é uma mistura de “nijinsky e apolo” e acho por ser o primeiro bailarino, fará falta no corpo de baile. Realmente esse assunto parece mais fofoca.
    Aguardemos, para que a situação se revolva com honestidade.

  8. João Darlei says:

    E se kavin Space fosse denunciado lá no começo, quantas oportunidades de ver belíssimas obras consagradas, premiadas nos não íamos perder? Quanto o jornalismo brasileiro não vai perder com a ausência de Wack? Quanto mais talento seremos privados de ver no futuro?Também acho que coisa não é bem assim não?

  9. Spectro-Méier says:

    É aquela mesma história do cara que acredita em tudo que vê às 20:30 em rede nacional, sem se dar ao “luxo” de comparar com outras reportagens …

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