UM ANO ANTES DO ABISMO

 

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Alguém me pede para escrever um balanço do ano que agora termina. “Ai, que saco”, penso eu. Até parece que do alto da nova Liberty Tower, lá no antigo World Trade Center, milhares de séculos não nos contemplam. Li este ano um livro muito interessante de um historiador brasileiro, Reinaldo José Lopes, intitulado “O Brasil Antes de Cabral”, no qual ele deixa claro o óbvio: nossa pré-história só terminou com a chegada às nossas costas (inclusive no sentido literal do termo) do misto de navegadores e aventureiros portugueses.

Sim, porque antes deste evento não existia o Brasil, e sim uma vastidão de terras habitadas por dezenas de grupos, ou tribos ou que outro nome se dê a eles, que se hostilizavam entre si e nem ao menos falavam a mesma língua. Aliás, o Brasil só começou a existir mesmo no dia 7 de setembro de 1822, quando Caio Castro gritou “Independência ou Morte” à beira de um riacho que corre ali nos fundos do Projac e eu, idiota que sou, ao ver a cena fiquei emocionado.

Antes desse outro evento o que nós éramos, bem… Éramos uma colônia portuguesa, o que não era pouco naquela época, mas era nada para os políticos de hoje, todos cada vez mais sequiosos – apesar da Lava-Jato – de pega o pirão deles primeiro – aliás, o pirão, só, não: a fábrica de farinha inteira!

E mesmo quando o Brasil não existia e o tempo fosse contado em luas pelos seus habitantes de então, os séculos se passavam um atrás do outro até formarem milhares, milhões de anos segundo a vaga e passageira contagem que utilizamos hoje.

Assim, um ano é apenas mais um ano neste caldeirão sem fundo de tantos séculos e não vejo porque deva se fazer um balanço do que aconteceu cada vez que um deles termina… Se os fatos não se encerram no dia 31 de dezembro, mas, para desespero nosso, continuam e se repetem e todos nós contribuímos para a confusão reinante mais errando que acertando… E, meu Deus, o quanto erramos neste ano que só vai terminar quando começar outro.

Se eu fosse fazer um balanço desses erros ele seria tão sem fim do quanto a passagem dos séculos, por isso não faço merda de balanço de fim-de-ano nenhum e fico por aqui. E apenas lhes digo que o bicho homem tem uma vocação nata para o desastre e assim em 2018 continuaremos à beira do abismo sem sequer saber que lá estamos, tal como esta criança que se balança lá em cima na foto.

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4 thoughts on “UM ANO ANTES DO ABISMO”

  1. João Darlei says:

    Não acredito que vc chorou quando viu a cena do Caio Castro kkkkkkk

  2. Spectro-Méier says:

    O Brasil mÓrreu. Mas vai renascer à base de Catuaba Selvagem e muito “É o tchan” na vitrolinha …

  3. Julielson Lima says:

    Palavras fortes! Mas vamos ter esperança! 2018 vai ser incrível .

  4. Moacir says:

    Gostaria imensamente de compartilhar esse texto maravilhoso com pessoas da minha página no feice, mas não sei como. Parabéns pelo que escreveste. Fantástico.

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