MENTIRA TEM PERNAS LONGAS

 

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Vi (e revi) na Globo News um excelente programa sobre fake News. Na tentativa de entender – e explicar – este fenômeno que está corroendo a credibilidade até do jornalismo tradicional, o repórter André Fran foi parar na Macedônia, país onde está a cidade de Veles, considerada a “capital das notícias falsas”. Pois é de lá que saem os boatos capazes de criar ou reverter tendências de opinião e influenciar até questões de capital importância como as eleições norte-americanas.

Neste caso específico a quantidade de fake News, sempre contra Hillary Clinton, deu no que deu: na vitória de Donald Trump. Um desses boatos que mais rendeu cliques e manifestações de ódio contra Hillary na internet foi um, republicado até a exaustão, segundo o qual ela era pedófila ou, quando menos, favorável à prática da pedofilia. Como os outros, ele saiu de Veles e foi aceito como “supostamente verdadeiro” por vários pesos pesados da mídia, incluindo a Fox News.

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Em sua passagem pela Macedônia André Fran conseguiu entrevistar lá em Veles um garoto (com o repórter na foto acima) de não mais de vinte anos que foi responsável por muitas destas notícias falsas. Detalhe: ele cobrou 200 dólares para dar a entrevista. A certa altura o repórter pergunta ao garoto o que o motivou nesta campanha contra Hillary: teria ele feito isso por razões ideológicas? A resposta que ele deu é exemplar, e deixa claro porque os boatos que correm na internet devem ser duramente combatidos e de alguma forma contidos uma vez comprovada sua falsidade:

“Eu fiz isso porque as notícias falsas me rendiam um bom dinheiro… E eu precisava de dinheiro para pagar minha faculdade”.

Bom, pelo menos ele tinha uma motivação… Ainda que discutível. Pois há estudantes que conseguem para pagar suas faculdades sem precisar espalhar boatos falsos e perniciosos sobre os outros. E o modo como os boatos falsos e perniciosos vêm se tornando cada vez mais comuns na internet, e como a maioria absoluta dos usuários desta sempre os leem como verdadeiros vai acabar por provocar males irreversíveis no que nós, seres humanos, chamamos de “nossa comunidade”.

E isso que acabei de escrever, acreditem, não é mais uma fake News. Tanto não é que, Mark Zuckerberg, o manda-chuva deste verdadeiro ninho da serpente em que está se transformando o Facebook, anunciou nos últimos dias de dezembro sua resolução para 2018, que é: “corrigir erros relacionados à rede social e proteger seus usuários de discursos de ódio”.

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Segundo Zuckerberg, “o mundo se sente ansioso e dividido, e o Facebook tem muito trabalho pela frente, seja na proteção da nossa comunidade contra abusos e ódio, na defesa contra a interferência de Estados-Nação ou assegurando que o tempo gasto no Facebook seja um tempo bem aproveitado. Meu desafio pessoal para 2018 é focar na solução desses problemas.”

Tarefa difícil essa de Zuckerberg. André Fran também entrevistou, em Londres, a editora de uma agência jornalística encarregada de checar – e desmentir, se for o caso – o que cai na rede e parece ser “fake News”. Disse ela:

“Em geral a gente checa uma notícia dessas em pelo menos cinco fontes diferentes. Isso leva algum tempo e, quando se consegue publicar um desmentido, o responsável pela notícia falsa já publicou outra, ou outras, e então temos que começar tudo de novo”.

E assim a mentira, que outrora tinha pernas curtas, graças às redes sociais agora as tem cada vez mais longas.

One thought on “MENTIRA TEM PERNAS LONGAS”

  1. Magdalena Salinas says:

    Temos que pensar se cada vez que lemos uma notícia ela é “fake” ou não.
    Acho quem começou a falar muito nessa palavra foi Donald Trump que inclusive insultou os jornalistas, não foi não???

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