“LA CASA” DO QUAQUAQUÁ

O ator que faz “Berlin” em La Casa de Papel é o campeão mundial absoluto das caras e bocas e da risada insuportável no final de cada frase. Mas a moça que faz “Tóquio” não lhe fica atrás em canastrice.

Na metade do  episódio 2 da segunda temporada de La Casa de Papel não aguentei mais – e parei de ver o seriado. Por várias razões; mas a principal é por causa da canastrice dos atores. O cidadão que vive “Berlim” e a moça que faz  “Tóquio”, assim como os outros em escala  (não muito) menor, são canastrões insuportáveis. “Berlim” tem que revirar os olhos e dar uma risada sarcástica no final de cada frase para mostrar o quanto é mal. E a “Tóquio”, com aquele queixo permanentemente enfiada no peito e os olhos sempre arregalados e a voejar para todos os lados, parece uma personagem mal resolvida de desenho animado.

E olha que estou vendo a série dublada em inglês, o que faz com que ela fique menos parecida com uma novela mexicana, o que, em quase todos os momentos, ela é. A história não resulta em coisa com coisa. A insistência dos roteiristas em querer apresentar o tal Professor como herói de uma causa justa, em vez de um psicopata, chega ao extremo de, a certa altura, ele e Berlim, abraçados como se fossem amantes, cantarem “Bella Ciao”, o hino dos partisans italianos depois expropriado pelos comunistas que diziam – e ainda hoje dizem – lutar por “um amanhã florido e radioso”… Onde todos fossem pobres de tudo, como aconteceu na ex-União Soviética durante setenta anos.

Aliás, a figura do professor é um episódio à parte nesta série que conta um assalto interminável. Ele tem mais poderes que o Super Homem. Várias vezes está prestes a ser desmascarado pela policial mais toupeira da história da humanidade, mas sempre consegue escapar das maneiras mais estapafúrdias. O momento em que decidi parar de ver a série foi quando ele, já preso na delegacia – por razões outras -, planeja milimetricamente o modo como vai se safar de mais aquela – pede para ir ao banheiro, pega todos os sabonetes que estão sobre a pia (sabonetes nas pias de uma delegacia? Incrível!), coloca-os dentro da própria meia e bate com esta varias vezes no estômago, na certa para dizer depois que foi agredido enquanto mijava pelo policial que o levou até lá. Atenção, meus futuros alunos de possíveis master classes… Esta é uma solução a ser sumariamente ignorada. Depois disso, desliguei a televisão e proclamei: chega, chega… E CHEGA!

Dentro da “Casa de Papel” – a Casa da Moeda de Espanha, onde os bandidos estão a caminho de imprimir 2 bilhões de dólares verdadeiros, os conflitos entre eles só servem para mostrar o quanto são todos humanos e bonzinhos. Nairobi quer seu quinhão na grana – algo assim como umaz centena de milhões de Euros, mas é por uma boa causa: ter de volta o filho, que ela abandonou sabe-se lá onde porque precisou sair para comprar drogas. Todos têm motivações desse tipo, profundamente “humanas”.

E os reféns, ah, os reféns… Monica Gatzambide está grávida do seu chefe, que é um crápula manipulador, mas não perde muito tempo em se apaixonar pelo bandido mais bronco de todos e achar pode ser feliz com ele (e seus cem milhões de euros) numa cabana à beira de um lago azul e encantado. Aliás, as atrizes da série são um capítulo à parte. Parecem ter sido escolhidas a partir de um único critério – a incapacidade. A detetive chefe, por exemplo, atua com a impetuosidade de um pônei. Além disso se apaixona pelo bandido mor em pessoa e, sem nunca desconfiar que ele é o próprio, faz questão de, em todas as diligências policiais, levá-lo a tiracolo e lhe contar tudo que acontece na investigação em todos os detalhes.

A exceção é a menina que faz Allison Parker, a filha do embaixador inglês, uma atriz de timing que, talvez por isso (para não destoar das outras) até agora não apareceu nesta segunda temporada.

Enfim: La Casa de Papel é um amontoado de clichês dramatúrgicos e o que é pior: todos mal resolvidos. E só o fato de ser tão superficial e óbvia justifica o sucesso que faz em todo o mundo.

15 thoughts on ““LA CASA” DO QUAQUAQUÁ”

  1. Amanda Luz says:

    Senti o mesmo ao assistir essa série! Dói os olhos ver atuações tão ruins!!!

  2. Spectro-Méier says:

    Aguinaldo, você torce para que aquele Pato gigante da Fiesp faça “qua-quá” para os políticos corruptos ?

  3. Ronaldo Costa Campos says:

    Não sei porque vocês dão tanta importância a estes seriados. Nossas novelas são muito melhores.

  4. Jussara Campos Reali says:

    Que bicha velha mais despeitada! Tudo que ela não escreveu, ela esculhamba. O seriado está fazendo o maior sucesso no Brasil, ô coisa carcomida. Só você e a tal de Patrícia Cogute falaram ma? Duas despeitadas. Vão se criar!

  5. Johnny Medley says:

    Não entendi porque o hino dos partisans italianosi virou hino oficial de um bando de assaltantes aloprados. Será que os roteiristas acham que a gente vai acreditar que as intenções dos ladrões são boas? Eles estão ali para ganhar muito dinheiro. E a motivação do chefe da gang – o pai dele era um assaltante de bancos tão compulsivo que acabou sendo morto num assalto – é a maior piada: só por isso ele resolve ser assaltante também?

  6. Geraldo Santana says:

    Aguiganaldo, é verdade que a divina Letícia Spiller vai entrar na tua novela. Que luxo. Ela é uma das minhas favoritas.

  7. Malévola dos Santos says:

    Horrorosa. Traidora. Inimiga dos gays. Só de ver tua cara já me dá vontade de vomitar.

    1. Aguinaldo Silva says:

      Então vomite, quereeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeda. Está esperando o quê?

      1. Marcos Suendel says:

        Rsrsrs

  8. joao says:

    Essa tua crítica parece as críticas ao Outro Lado do Paraíso, tão falando que a Glória Pires tá fazendo a novela porque precisa pagar as contas. E vc o que acha?

  9. Julielson Lima says:

    Ainda sobre a série, acho uma boa série, a melhor surpresa de 2018 até então. E inegável a péssima atuação de alguns atores e a burrice estratosférica da inspetora Raquel. Porém, não consegui parar de ver, fui até o final e não me surpreendi o tanto quanto esperava. Abraço Aguinaldo !!!

  10. Aldenor Sakamoto says:

    Quer uma novidade para compartilhar, temos VIDA para abraçar !

    Obs: Um lugar para ir além da poesia, sem esteriótipo ou hipocrisia !!

    https://www.facebook.com/ViverVIVA/

  11. Filipe do Vale says:

    Jura que o nome da cidade fictícia da sua próxima novela é Serro Azul? Mas este é o mesmo nome da capital do Estado que não tem nome da novela Saramandaia, do Ricardo Linhares.
    E aliás, sempre quis saber, o que você achou de Saramandaia, minha novela favorita?

    1. Aguinaldo Silva says:

      Filipe, querido, Serro Azul é uma cidade que faz parte do meu território ficcional desde Pedra sobre Pedra. Foi citada como “uma cidade próxima” nesta novela e também em Fera Ferida e a Indomada. Nesta minha novela de agora, além de Serro Azul, aparecem Tubiacanga, onde se passava a história de Fera Ferida, e Greenville, onde moravam os personagens de A Indomada. Ricardo, um autor querido e muito talentoso, que trabalhou comigo em todas estas novelas, pediu o nome de Serro Azul emprestado em sua primeira novela solo.

  12. Rogério Casagrande says:

    Parei no sétimo episódio. Não suporto quando um texto subestima a inteligência. Apesar de achar a cena no ferro velho bem emocionante, aquela história do professor atender o celular dentro de um carro sacudindo, pronto pra virar lata amassada, e a tonta da policial não perceber nada, foi demais pra cabeça. Agora vamos combinar que alguns autores de novela no Brasil, inclusive no ar atualmente, escrevem cenas ainda mais bizarras e absurdas.

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