QUANDO AMAR É PROIBIDO

 

“Teve uma coisa que a África não conseguiu matar em mim: o meu amor por você”.

taboo-tom-oona-t

A frase acima é dita por James Keziah Delaney à irmã dele, Zylpha, com a máxima intensidade que vocês possam esperar de um ator, no seriado inglês “Taboo”. Quem é  o ator? Aquele baixinho arretado do Tom Hardy. Ao ouvi-la, a atriz Oona Chaplin, que vive Zylpha, responde com a mesma intensidade, mas apenas no olhar (os dois estão nas fotos aí em cima). Fica evidente já ali que eles nasceram um para o outro. Portanto, não se iludam: o amor de que Delaney está falando não é o fraternal, aquele entre irmãos, mas o amor que nasce entre amantes para ser imorredouro . Pois o “Taboo” de que fala o título desta magnifica produção inglesa é ele mesmo – o incesto. Tanto é este o tema que, em outra cena,  Keziah lembra à irmã que, “depois de tudo, você ajeitava a saia e deixava a sala como se nada tivesse acontecido”.

Vocês podem imaginar uma série que fale sobre este assunto? Pois “Taboo” faz isso e o faz de um modo tal que todos nós, que tivemos irmãos ou pais de quem fomos muito próximos, embora nunca tenhamos falado sobre isso mergulhamos na zona mais penumbrosa dos nossos pensamentos e lembramos que, sim, de algum modo aquilo tem a ver conosco.

maxresdefault

taboo-810x456

A série me foi recomendada por Marília Gabriela durante um dos nossos jantares que sempre viram uma espécie de diálogo litero-cultural. E ela falou com tamanho entusiasmo de “Taboo” que, mal cheguei em casa, tratei de sintonizar a Fox Premium e fui ver correndo,

“Taboo” partiu de uma ideia inicial do próprio Tom Hardy, adotada por Steven Knight e apadrinhada por ninguém menos que Ridley Scott (e aqui vale a pena abrir um parênteses para dizer que Scott, junto com Martin Scorcese, forma a dupla que mais fez pela dignificação do audiovisual  – cinema e televisão – nos últimos 60 anos. Sem eles os filmes e os seriados de nossa era não seriam os mesmos).

A série se passa na mais sombria possível de todas as Londres – aquela dos idos de 1804. A produção primorosa não faz a menor concessão ao que então devia ser a capital inglesa – um vastíssimo chiqueiro. E parte da história pessoal de Delaney – um retornado do inferno que agora tenta manter longe de si todos os seus demônios – para entrar na História com H maiúsculo… Pois o nosso anti-heroi tem sua vida atirada no centro da disputa entre americanos e ingleses pela demarcação da fronteira dos Estados Unidos com o Canadá, com todas as vantagens para um lado ou outro.

Fico por aqui, a imaginar o que ainda nos mantém longe esta profundidade na abordagem dos temas a que chegaram os seriados. Somos bons em  tudo. As produções são requintadas, a luz, a iluminação, até o som já é profissional em quase todos os nossos produtos do gênero… Do que precisamos agora é de quebrar tabus dramatúrgicos em nossas histórias, como fizeram os americanos e agora já fazem alguns países que produzem  seriados no mundo . Capacidade para fazer isso nós temos.

Vejam “Taboo”, sintam-se inquietos por vê-la chegar tão perto de nossos sentimentos e desejos mais recônditos… E depois me digam se estou ou não certo.

Mini-serie-taboo

Taboo-1x02

2 thoughts on “QUANDO AMAR É PROIBIDO”

  1. Spectro-Méier says:

    “Deus salve o Rei” está aí para provar que a Globo, quando quer, sabe fazer muito bem feito no que diz respeito as imagens e toda parte visual. Mas o texto, infelizmente deixou a desejar. Pelo menos é isso que várias reportagens publicaram. Afinal, como sempre disse um senhor nobre de cabeleira prateada, “novela é novelo”. E vamos que vamos.

  2. Roberto Moura says:

    Comecei a vê-lo neste findi. Quem sabe algum descendente deste tempo tenha desembarcado em Green Ville?

Deixe uma resposta para Roberto Moura Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *