VAMOS GRITAR: “FORA, 2018”!

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Hoje cedo vi um grupo de seis brasileiros, jovens e impetuosos, atravessando a Pont des Arts, aqui em Paris, aos gritos de “fora, Temer!” Um deles postava um cartaz no qual estava escrito: “Brasil livre!”. Livre de que, eu me perguntei: do locaute caminhoneiro? A Pont  des  Arts é aquela na qual jovens do mundo inteiro penduraram tantos cadeados que, certo dia, uma parte de sua amurada desabou por causa do peso.

Jovens costumam ser um tantinho tresloucados. Eu sei disso porque já fui um deles. Às vezes ainda sou meio tresloucado, porém, como não sou mais jovem, na medida do possível, me controlo. Jamais sairia pelas pontes de Paris a gritar fora quem quer que seja, pois sei que isso seria inócuo. Temer não vai cair porque meia dúzia de pessoas saem pelas ruas de Paris a pedir isso. Mas, diriam os tais jovens se fossem ouvidos a respeito, “o que vale é o gesto”.

Paris, assim como várias cidades do mundo neste momento, está cheia de brasileiros. Pois os nossos compatriotas adoram viajar, hábito que considero muito saudável, embora cada vez mais caro. Eu mesmo viajo muito, tanto que estava aqui, dando meu passeio matinal à beira do Rio Sena, quando a mini passeata dos jovens brasileiros cruzou o meu caminho.

Como os jovens do “fora, Temer”, embora não pelas mesmas razões que eles, ainda que de longe continuo preocupado com a atual situação brasileira. Estamos praticamente em junho. Logo começará a Copa do Mundo, que é sempre um hiato na vida dos brasileiros. Aí virão as eleições presidenciais e, quando tudo terminar (Deus sabe como) já estaremos em novembro, ou seja, prontos para festejar o fim do ano. O tempo passará tão rápido que sugiro uma adaptação ao slogan dos jovens brasileiros da Pont des Arts: que tal “fora, 2018”? Vade retro!

 

7 thoughts on “VAMOS GRITAR: “FORA, 2018”!”

  1. Filipe do Vale says:

    São mais interessantes anos assim, não?

    1. Aguinaldo Silva says:

      Acho que sim, Filipe. Já vivi anos bem piores e sobrevivi a todos eles. Deve ser muito chato um mundo em que nada acontece. Mas em 2018, bem… Estão acontecendo mais coisas do que a gente pode suportar sem traumas.

      1. Filipe do Vale says:

        Verdade.

  2. Spectro-Méier says:

    Aguinaldo, olha ali para câmera 3 e me conta: Quem será o próximo presidente do Brasil ?

    1. Aguinaldo Silva says:

      Até para o Diabo está difícil de escolher. Eu aposto no que for pior: é nele que vão votar.

  3. Anne says:

    Previsibilidade. Será que os brasileiros irão votar no pior? De novo? E de novo? Porque? Porque nosso povo erra de candidato. Até parece comigo que tem dedo podre para amores. Sempre, e de novo, consigo escolher o pior, o mais mau caráter, aquele que me deixará sem dinheiro do pão francês, aquele que me deixará endividada para manter a família, já que ele desaparece com a mesma maestria que aparece. Nosso povo é romântico. Como é ruim ser romântico , ouvir ou outro, enxergar o outro, crer no outro. Como é ruim saber que será enganada, mas acreditar que desta vez será diferente, afinal já passou da hora de ser feliz, e não se vive eternamente. Também amo viajar. E sabe porque? Porque eu sei que longe daqui eu serei diferente , outra pessoa, e o mistério me agrada e impede que oportunistas se aproximem. Será que o amor sincero existe? E a honestidade? A verdade?

  4. Spectro-Méier says:

    É impressão minha ou a saga do bom e velhaco Roque Santeiro (aquele que era dado como morto, porém mártir, e depois ficou no dilema do reaparecimento, já que estava mais vivo do que a inflação) está servindo de inspiração para a trama das 21 horas ? Sei não heim. Vamos que vamos.

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