O QUE TE AFLIGE, BEBÊ?

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QUERIDO DIÁRIO: volto a escrever minhas mal traçadas linhas nas tuas páginas amareladas pela falta de uso e começo por te pedir desculpas pela longa ausência.

Não vou te dizer, embora assim o exijas, quem é o dono do celular  (por enquanto não publicarei o DDD, nem o número) que anda a me mandar mensagens anônimas e a me ligar desesperadamente até cinco vezes por dia, embora sempre desligue quando eu atendo. Tudo o que posso dizer a respeito dessa pessoa que me liga de modo tão aflito é que se trata de um morto. Alguém que já desencarnou há tempos, embora ainda não saiba disso.

Por que não o farei? Porque sabes muito bem que não costumo perder tempo com quem não vale a pena. E não vale a pena uma pessoa cuja alma é tão pequena a ponto de mandar mensagens anônimas via celular, a coisa mais rastreável que hoje existe.

Portanto…

Prefiro te falar sobre outros assuntos… E o assunto de ontem, hoje, e principalmente de amanhã é a novela (a décima-quarta!) que agora escrevo. Sei que sobre ela já andaste a ler muita coisa… Por isso tens certeza de que, mais que todas que já escrevi, ela tem meu DNA e é minha prova de artista, pois, na idade em que estou, o próximo passo sempre pode ser o último.

A essa altura já me criticas, eu sei. Dizes que nos últimos tempos ando a falar muito de morte… Mas te enganas, meu querido. Do que ando a falar é de VIDA, assim mesmo, em letras garrafais. Ando a meditar sobre o fato irrefutável de que minha até aqui foi muitíssimo bem vivida… E que não há razão para que isso mude até que ela termine.

O que estou querendo te dizer com isso? Aquilo que já sabes, diário querido: a certeza que tenho de que nestes longos 75 anos fiz muito mais do que o possível. Dia desses alguém publicou que as novelas campeãs de audiência das últimas quatro últimas décadas tiveram sempre o meu nome como autor principal nos créditos. Como diria Ancelmo Góis, um jornalista do qual és leitor diário, isso “não é nada, não é nada… Não é nada” – mesmo que eu também me torne o campeão de audiência da próxima década.

Falei, falei… E, a não ser pela informação sobre o tal telefone celular que neste dia 12/06, precisamente às 16h15m, voltou a me mandar uma mensagem do alem túmulo, quase não disse nada. Ou disse tudo, sim… Disse que a vida é uma história contada por um idiota, cheia de som e de fúria, mas vazia de significado… Frase que, antes que me acusem de plágio, deixo aqui registrado: eu copiei de Shakespeare.

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5 thoughts on “O QUE TE AFLIGE, BEBÊ?”

  1. Spectro-Méier says:

    O segredo do sucesso é escrever trajando cueca samba-canção. Isso só prova que a taça de cristal que aparece nas fotos pode até ter um líquido centenário e muito caro mas nada melhor do que a liberdade de comer uma feijoada longe dos olhos alheios. Vamos que vamos !

  2. Filipe do Vale says:

    Tentei. Me desculpe a ignorância, mas não entendi.

    1. Aguinaldo Silva says:

      Desculpa, querido, se não fui suficientemente claro. Na próxima vez serei mais cuidadoso. Obrigado pelo comentário.

  3. Anne says:

    Venho passando por isto também, celular toca, ninguém fala nada e desliga. No meu caso são 3 entidades que me ligam: cobrador de prestação de empréstimo em atraso para me perturbar e tirar a paz (mesmo quando saldo as ligações continuam, eu atendo e o outro lado aguarda e desliga, é uma loucura o sistema de atualização da caixa econômica), a VIVO me oferecendo um plano que nunca aceito e por fim alguém me oferecendo um empréstimo para pegar minha mirrada aposentadoria do INSS. Seria hilário se não fosse irritante. Eu agora deixo no silencioso e vez por outra dou uma olhadinha no celular. Trocar o número não é solução, eles conseguem descobrir e começariam tudo de novo.

  4. Ge says:

    Será que o S.C. Cobrando os créditos? Sei não hein.

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