Textos para teste de elenco

Textos para teste de elenco

 

1. Monólogo (ator/atriz) / Mad Men, 6° Temporada, Episódio 12

“Todas as agências que você encontrarem parecerão qualificadas a anunciar o chocolate Hers-heys porque o produto em si é um dos mais vitoriosos de todos os tempos. Cada um nesta sala tem uma história para contar. A minha foi com meu pai me levando à farmácia depois de eu ter cortado a grama e dizendo que eu podia escolher qualquer coisa. E tinha muita coisa. Mas eu escolhi uma barra de Hersheys. E quando eu rasguei, meu pai passou a mão no meu cabelo e para sempre o amor dele e o chocolate ficaram ligados. É esta história que vamos contar. Uma barra Hersheys é a moeda do afeto. É o símbolo do amor na infância. (Tempo) Me descul-pem, eu preciso dizer uma coisa. Eu sou órfão, eu cresci na Pensilvânia, em um bordel. Eu li sobre Milton Hershey e a escola dele em uma revista pornô ou outro periódico que alguma garota deixou no banheiro. E li que alguns órfãos tinham uma vida diferente lá. Eu podia ima-ginar. Eu sonhava com aquilo, em ser querido. Porque a mulher que foi obrigada a me criar me olhava todo dia torcendo para eu sumir. O máximo de me sentir querido que consegui foi quando uma garota me fez mexer nos bolsos de um cara enquanto transavam. Se pegasse mais de um dolar, ela me comprava uma barra de Hershey. E eu comia sozinho no meu quarto, com toda cerimônia, me sentindo uma criança normal. Na embalagem dizia ‘doce’. Era a única coisa doce na minha vida.”

2. Monólogo (Ator) / RODRIGUES, Nelson. A Falecida. In: Nelson Rodrigues: teatro completo. Rio de Janeiro: Aguilar, 2003, p. 768-679.

“Sim, porque, geralmente, antes do principal, sempre há uma conversinha, um namoro, um romance… E, com a Zulmira, não houve nada disso… Ah, eu me lembro como se fosse hoje. Direitinho. Foi mais ou menos há um ano. Sabe aquela sorveteria da Cinelâdia, que fica perto do “Odeon”? (…) Pois é. Entrei na sorveteria e… Fui lá dentro… mas em vez de empurrar a por-ta dos “Cavalheiros”, empurrei a porta das “Senhoras”. Abri assim e dou de cara com uma do-na que estava na pia, lavando as mãos… Eu ia voltar atrás, mas ah! Não sei o que houve comi-go! Deu-me a louca e já sabe: atraquei a Fulana, em bruto. Quer dizer: não houve um “bom dia”, um “boa noite”, não houve uma palavra entre nós, nada.”

3. Monólogo (atriz) / Scandal, 3° Temporada / Episódio 6

“Tem uma coisa que minha avó costumava fazer sempre que eu começava a sair com alguém. Eu dizia o nome dele para ela e ela perguntava: ‘Ah, em que parte da cidade ele mora?’. Era a maneira dela de perguntar se ele era branco. Sim, minha avó era bem racista. Então eu sei como é a cara do preconceito. Então esta conversa não é sobre experiência, meu caro, é sobre gênero. O governador dizendo que eu não tenho culhão para ser presidente, ele está dizendo isto literalmente. É ofensivo. É ofensivo comigo e com todas as mulheres a quem ele está pe-dindo votos. E não é só o governador falando em código sobre gênero, é todo mundo, incluindo você. A única razão pela qual estamos fazendo esta entrevista na minha casa é porque você a solicitou. Isto foi sua ideia e, mesmo assim, você está aqui me agradecendo por ter te convida-do à minha ‘casa adorável’. Isto é o que você diz para a sua vizinha que te preparou biscoitos de chocolate. Esta jarra de chá gelado nem é minha, foi seu produtor que a colocou aqui. Por quê? Pela mesma razão que te fez me chamar de ‘Cinderela’ da vida real. Isto relembra as pes-soas de que eu sou uma mulher, sem usar esta palavra. Para você é só uma abordagem, eu entendo isto. E eu tenho certeza de que você considera isto inofensivo. Mas sabe de uma coisa? Não é! Você está promovendo estereótipos, meu caro. Você está avançando com a ideia de que mulheres são mais fracas do que os homens. É hora de acabar com isto!”

4. Monólogo (Atriz) / WILLIAMS, Tennessee. Um Bonde Chamado Desejo. São Paulo: Abril Cul-tural, 1980, pp. 156-157.

“Não. Era um menino. Apenas um menino, quando eu era ainda muito jovem. Aos dezesseis anos fiz uma grande descoberta – o amor! Foi tudo tão simples, tão completo. Foi assim como se acendesse uma luz intensa, num lugar que estivesse sempre no escuro. Foi assim que ele iluminou esse mundo para mim. Mas não tive sorte. Desiludi-me logo. Havia nele qualquer coisa muito estranha… Um nervosismo, uma doçura, uma delicadeza que não eram próprios de um homem – se bem que ele não tivesse nada de efeminado. Mas havia qualquer coisa… Ele me procurava em busca de ajuda. E eu não sabia disso… Foi então, que eu percebi que o havia enganado de uma maneira misteriosa e que eu não lhe estava dando ajuda de que ele necessi-tava, mas da qual não podia falar! Ele estava num atoleiro e agarravase a mim. Mas eu não o estava puxando para fora. Eu estava afundando com ele. E eu não sabia de nada (…).”

5. Monólogo (ator/atriz jovem) / Misfit, 1° temporada – episódio 6

“Ela fez vocês pensarem que é assim que deve ser, mas não é! Nós somos jovens! Nós devemos beber muito! Nós devemos ser mal educados e transar muito! Nós fomos feitos para festejar! É isto! É, alguns de vocês vão ter uma overdose ou vão ficar malucos… Mas Charles Darwin disse: ‘Não se pode fazer uma omelete sem quebrar ovos.’ E este é o lance… quebrar ovos! Com ‘ovos’ quero dizer ficar bêbado num coquetel de gente rica! Se vocês pudessem se ver… É de partir o coração, vocês estão usando cardigãs! A gente tinha tudo. Fizemos mais e melhores merdas do que todas as gerações que vieram antes da gente. Nós éramos lindos! Nós somos desajusta-dos! Eu sou desajustado! E eu pretendo ser desajustado até meus vinte e tantos anos, talvez até uns trinta e poucos anos. Eu faço o que eu quiser antes de deixar que ela, ou qualquer um, tire isto de mim!”

6. Monólogo (atriz 20-60 anos)/Frank Edwards – “How to be a Bitch”

“Não faça isso! Não abra essa caixinha de presente! Não me peça para casar com você.
Não posso deixar você fazer isso comigo!
Antes de te conhecer eu costumava ser uma vadia. Verdade! Todos no trabalho me considera-vam uma tremenda piranha. Ninguém realmente gostava de mim. Aquelas pessoas que eu apresentei para você como meus amigos,de facto, não eram meus amigos. Eles estavam com medo de mim!
Antes, eu nunca disse por favor ou obrigado num restaurante. Nunca gargalhei ou sorri das piadas de ninguém. Pelo contrário sempre fui rápida com os insultos e ofensas!
Agora tenho esses sentimentos, esses impulsos para doar a instituições de caridade, distribuir sopa aos sem-teto, dar abraços a pessoas humildes, ajudar velhinhas a atravessar a rua e por aí vai!
Você não vê!?
Você não vê que me transformou numa pessoa agradável!
E o que realmente me assusta é que você vai abrir essa caixa e perguntar-me se eu quero ca-sar com você, e eu vou aceitar, putz! Vou apenas dizer “sim”, e então terei de ser boa alma para o resto da minha vida! Isso é horrível! Péssimo!
Pelo amor de Deus, coloque essa caixa de volta no bolso. O planeta já tem milhões de pessoas agradáveis – ele não precisa de mim! Eu sou uma safada e é assim que quero permanecer … desse jeito!
Não estou pedindo …não!
Estou te implorando:
Por favor … não case comigo!

7 – HOMEM

(Com ironia) Ò Cára, porra!
Tu vem aqui, me pedir ajuda sempre que tá na merda mas, quando está numa boa desaparece, não atende ninguém, só olha p`ra tu mesmo, né! Agora, que estourou a merda lá na Delegacia também tá difícil pra você, né!? Aí tu aparece, humilde, atencioso com um sem número de palavras bonitas etc & tal … Porquê? Porque me considera seu amigo!? Porra nenhuma!  Precisa de mim! (Com ironia) Precisa do Nordestino, ou melhor, do Paraibinha, do “Carne-Seca”! Olha aqui p`ra tu (Faz gesto Obsceno).
Deve ser foda mesmo, você  aí, todo playboy… chega alguém, uma menina, lá da escola, gostosinha, filhinha de não  sei quem, e você vai apresentar o amigão aqui, sentado no  meio fio, mal vestido, todo noiado, todo fodido… deve ser triste, mesmo. Você, passa batido, nem me conhece, ou não é?
– Aquele ali, ó, é um fodido, um pobre coitado… (Reação do amigo).
Não faz essa cara de: “Meu Deus, onde é que ele foi se meter”! Vou te contar uma coisa que eu descobri: a rua é sinistra, é suja, é barra pesada, mas tem uma coisa que não tem em qualquer outro lugar, não! Aqui em não tenho que fingir nada. Aqui a gente só finge pra polícia, pro resto… eu sou o que sou e foda-se…
Desaparece da minha frente!
Vaza!

(Anônimo – Boca do Lixo)

8 –

POUCO ANTES DO MEU NASCIMENTO MINHA MÃE FOI TOMADA POR UM GRANDE ABATIMENTO MORAL. VIVIA TÃO TRANSTORNADA QUE SÓ PODIA SE ALIMENTAR DE OSTRAS E CHAMPANHE GELADOS. SEU TRANSE ERA DOLOROSA DEMAIS. ELA VIVIA COMENTANDO: “ESSA CRIANÇA NÃO PODE SER NORMAL!” ELA ESPERAVA QUE LHE NASCESSE UMA CRIATURA DE CIRCO; UM VERDADEIRO MONSTRO. QUANDO LHE PERGUNTARAVAM PORQUE TEMIA TANTO PELO FUTURO DE ALGUÉM QUE, NEM AO MENOS NASCERA, NÃO SABIA COMO RESPONDER.
MAS HOJE EU SEI O QUE A DEIXAVA TÃO ANGUSTIADA. MINHA MÃE DE ALGUMA MANEIRA ADIVINHARA  O MEU TRÁGICO DESTINO: O FILHO QUE ELA TRAZIA NO VENTRE NÃO IA SER UMA CRIATURA QUALQUER, POIS NO FUTURO SERIA O QUE AGORA EU SOU: ARTISTA E MULHER, CONDIÇÃO DA QUAL MUITO ME ORGULHO!
(A. S. “Isadora & Oswald)

9 – Lú! Sacanagem o que a vida fez com a gente…Caramba, tinha que ser comigo essa merda? Tinha que ser com a gente? Eu te amo Lú, você é minha melhor amiga…é a irmã que eu não tive. Você é. Me perdoa, por favor…Não foi por que eu quis…quer dizer eu quis…mas não dessa forma que você…Enfim, eu tinha que ter caído fora, eu vacilei , mas eu nunca tinha sentido aquilo, eu nunca tinha sentido isso…Isso que eu sinto pelo Duda, essa droga, é amor.
Eu não sabia o que era amar, por que “caralhas” eu iria saber deixar de amar, eu só amei amiga e…sou amada. Porra não tem nada comparável a isso na vida , tipo, never …quer dizer, Nothing. Eu sei que pra você é difícil de aceitar o meu namoro com o Duda, mas o amor Lú, caminha ao lado da verdade, e eu jurei nunca mentir pra você…Quando você trouxe o Duda pra nossa vida, me apresentou pra ele, era minha história de amor que o universo estava contando e não sua…E eu sei. Nós duas nos confundimos.

È louco, mas eu te amo, e o Duda também te ama como amiga, eu quero que você nos perdoe e seja madrinha do nosso casamento!
TEXTO: Raul Lenk.